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    A RECOMPENSA

    Dom Hemingway, money e o cinema "ostentação"
    Por Cristina Tavelin
    13/05/2014

    Tendo em vista os filmes lançados nos últimos anos em Hollywood, talvez fosse prudente criar uma nova denominação para algumas produções, algo como "cinema ostentação". Carros, drogas, mulheres, baladas, uma trilha sonora empolgante. Poderia ser Se Beber, Não Case!, mas aqui é A Recompensa. Não faz diferença. Ambos levam o espectador a relacionar diversão a baladas e dinheiro. Muito dinheiro.

    Dom Hemingway, personagem que dá título ao original, é vivido por Jude Law. O ator não costuma decepcionar e não foi diferente desta vez. Dentro da proposta rasa fez o que pode e entrega uma figura bem estereotipada, assim como aqueles no entorno - o ex-chefe russo, a romena, o melhor amigo afetado, etc.

    Na trama, o protagonista passa 12 anos na cadeia por não delatar seus contatos quando preso e, após mais de uma década recluso, sai em busca do dinheiro que lhe é devido por sua fidelidade ao ex-chefe. Além disso, tenta recuperar o tempo de diversão perdido. Por último, lembra da filha (Emilia Clarke, de Game of Thrones) deixada de lado há tempos.

    Se, no início, o longa parece seguir o caminho do puro escracho - vide o monólogo constrangedor de Hemingway sobre o próprio pênis -, logo afasta-se dessa impressão e fica em cima do muro. A partir de tal indefinição, nada flui de maneira fácil.

    A rodada de exageros dos personagens no sul Da França e os discursos inflamados do protagonista são intercalados por momentos de reflexão quase ridículos. O linguajar sujo e as piadas de tom preconceituoso às vezes soam irônicos e batem de frente com o politicamente correto; mas, na maior parte do tempo, caem num mau gosto desnecessário.

    Mas A Recompensa, assim como vários filmes "ostentação", mantém a engrenagem social funcionando de forma eficiente. Quando sair da sala de cinema, um espectador poderá muito bem pensar que a diversão está em todo aquele dinheiro e poder. E continuará sua busca incessante para, finalmente, alcançá-los e sentir-se satisfeito.

    Só que o mecanismo é basicamente o mesmo daquelas rodas de exercício para hamsters. E o queijo - ou dinheiro - logo ali na frente, sempre estará na boca de Hollywood. Longe de querer jogar o fardo sobre a indústria do cinema, mas sim, ela ajuda a propagar ideais de consumo e futilidade de uma forma primorosa - mesmo com um discursinho sobre o amor ser mais importante nas entrelinhas.

    Dito isso, pouco sobra do nosso Dom Hemingway. Um personagem superficial, cuja aura respeitosa e de malandragem não tem consistência. De qualquer forma, A Recompensa é um filme mediano. A forma bem executada está lá. Se tiver tempo e ânimo, deixe o senso crítico em casa e divirta-se.