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    A RESSACA

    Cheio de referências aos anos 80, comédia mistura Marty McFly e <em>Se Beber, Não Case</em><br />
    Por Celso Sabadin
    10/09/2010

    Como se sabe, o tema da “segunda chance” é um dos mais queridos e recorrentes do cinema americano. Quando esta “segunda chance” se une a viagens no tempo, geralmente temos filmes, no mínimo, divertidos e interessantes, como Peggy Sue – Seu Passado à Espera, Pleasantville – A Vida em Preto e Branco e, claro, De Volta para o Futuro, isso só para citar alguns exemplos.

    Agora, chega ao circuito uma mistura de Peggy Sue com Marty McFly e uma dose de Se Beber, Não Case. Trata-se do divertido A Ressaca, que tem em sua ficha técnica um nome que é praticamente uma garantia de qualidade: o ator John Cusack, que dificilmente faz filme ruim. Na direção está Steve Pink, um dos roteiristas de Alta Fidelidade que, não por acaso, foi estrelado por Cusack.

    A trama básica tem praticamente o mesmo ponto de partida de Se Beber, Não Case: amigos trintões e/ou quarentões, saudosos das antigas bagunças adolescentes, se reúnem para tentar reviver os velhos tempos. Eles viajam até a estação de esqui onde costumavam beber e comer todas, mas para desencanto geral o lugar agora está abandonado e decadente. Tudo parece perdido. Até que uma banheira mágica de hidromassagem abre uma espécie de fenda no tempo, e os amigos são transportados para os anos 80. Seria possível reviver o antigo clima?

    Apesar da premissa básica, dois elementos fundamentais separam A Ressaca de Se Beber, Não Case: agora, há um rapaz de 20 anos entre os mais velhos (fazendo um divertido contraponto nerd), e o conceito de “viajar no tempo” passa a ser cinematograficamente real, e não mais apenas um simbolismo, como era em Se Beber, Não Case.

    É interessante notar como A Ressaca oscila entre o politicamente incorreto e o conservador. Ao mesmo tempo em que investe numa certa escatologia adolescente e em situações que exploram – muitas vezes com gosto duvidoso – tabus sexuais de orientação machista, o filme acena com um pensamento conformista de que nada deve ser mudado. Ou seja, tenta ser “moderninho”, mas sabe que, mercadologicamente, precisa agradar ao público trintão e quarentão, para não perder bilheteria.

    Em meio a esta dicotomia, o melhor a fazer é simplesmente relaxar e se divertir, já que o roteiro traz situações muito bem humoradas que certamente serão melhor apreciadas se o espectador tiver boas referências dos anos 80. Como, por exemplo, a participação especial de Chevy Chase, ícone de algumas das melhores comédias daquele período.