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    A SAGA CREPÚSCULO: AMANHECER - PARTE 1

    Penúltimo filme da saga aposta no romance, estica enredo fraco e repete clichês<br />
    Por Heitor Augusto
    18/11/2011

    Mais romance água com açúcar, menos ação. A Saga Crepúsculo: Amanhecer - Parte 1, que já nasce como blockbuster antes de estrear, dominando metade (!) das salas de cinema do Brasil a partir desta sexta-feira (18/11), é enfadonho e tão conservador quanto as outras produções que construíram a franquia, especialmente Lua Nova.

    A não ser por razões de mercado, o filme não justifica a divisão em duas partes. O inchaço do enredo transparece na artificialidade das situações dramáticas - diferentemente de Harry Potter e as Relíquias da Morte, cuja extensão do livro tornou aceitável a existência de dois capítulos finais.

    A pequena sustentação de A Saga Crepúsculo: Amanhecer - Parte 1 está no dilema de Bella (Kristen Stewart): aos 18 anos, casa-se com o vampiro Edward (Robert Pattinson) e engravida. Deve seguir com a gravidez e correr risco de morte ou optar por um aborto e manter-se viva?

    Durante a lua-de-mel, gravada no Rio de Janeiro (com uma cena medonha na Lapa e takes de Paraty que poderiam ser substituídos por qualquer outro paraíso exótico), surgem as dúvidas e os problemas do casal. Achar que esse fiapo de curva dramática é suficiente na construção de um filme envolvente é uma das inocências do roteiro do quarto capítulo da saga. A direção também se esforça em tornar explícito o peso da decisão de uma humana em se se unir com um vampiro - seu potencial algoz.

    Num outro filme minimamente razoável e conduzido por mãos talentosas, o dilema seria resolvido em alguns planos, auxiliados por um par de diálogos inteligentes, elipses (supressão do tempo) e boa atuação. Amanhecer precisa de duas horas para tal. Precisa, não: finge que precisa.

    Os únicos momentos em que ele se aproxima de ser um filme são as passagens mais sombrias, especialmente no pesadelo de Bella e o dolorido nascimento de sua filha, Renesmee.

    Filme para iniciados

    De toda a franquia, inaugurada em 2009, quando Taylor Lautner, Kristen e Robert ainda eram ilustres desconhecidos, A Saga Crepúsculo: Amanhecer - Parte 1 é o filme que menos dá bola para os não iniciados. A disputa dos lobos com os vampiros, o amor platônico de Jacob (Lautner) por Bella e a rivalidade do clã dos Volturi são dados, não explicados - o que não é necessariamente um problema.

    Porém, isso indica que não houve o desejo de abrir diálogo com um espectador comum apenas interessado num bom filme, mas sim entregar o produto que a rede de fãs espera. Tanto que todos os códigos medíocres dos filmes anteriores estão lá - destaque para as medonhas sequências que parecem extraídas de um videoclipe.

    Amanhecer estabelece também um paradigma na franquia: é o filme mais conservador, mais até que Eclipse. Sexo, só depois do casamento. Aborto, nem pensar, está fora de questão. Matar bandido não é algo ruim. Até o jeito que Bella se deixa "pegar" por Edward parece inspirado na representação da mulher no cinema norte-americano dos anos 1930.

    A capacidade de comunicação desses valores com a juventude que tornou a franquia um negócio lucrativo é uma constatação assustadora do quão conservador é o nosso tempo.

    Assim como os filmes anteriores da Saga Crepúsculo, Amanhecer requenta a narrativa do amor impossível, presente nos clássicos da literatura, para a parcela careta da geração Twitter.

    E como todo filme-franquia, abre caminhos para a próxima produção, cujos indícios são dados em uma cena adicional nos créditos finais.