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    A SAGA CREPÚSCULO: AMANHECER - PARTE 2

    Último filme da franquia perde chance de surpreender e recai na mesmice careta que marcou toda a série
    Por Roberto Guerra
    15/11/2012

    O último e aguardado filme da Saga Crepúsculo chega às telas trazendo duas grandes surpresas para seu público. A primeira é uma batalha campal de deixar o espectador com os dedos fincados no braço da poltrona: os Cullens e companhia enfrentam o poderoso clã dos Volturi num embate encarniçado que deixa muitas baixas pelo caminho. Não há condescendência e, mesmo estando o público ciente que o bem prevalecerá, não será sem sofrimento e perdas.

    Logo após a tensão e drama desse momento, que me fez acreditar que a franquia havia chegado a um desfecho honesto e corajoso, respeitando a inteligência de seu público, vem a segunda surpresa. Essa é uma espécie de banho de água fria em algum riacho gélido de Forks. Algo que não posso detalhar aqui para não estragar o assombro do espectador diante da novidade, mesmo que esta esteja longe de ser bem-vinda. O que posso dizer é que essa falta de atrevimento narrativo só ratifica a série Crepúsculo como uma das mais caretas de todos os tempos.

    Amanhecer – Parte 2 começa exatamente onde terminou o último filme. Após quase perder a vida ao dar à luz Renesmee, Bella é finalmente transformada em vampira. O começo do filme é dedicado a divertir os fãs mostrando o grande amor de Edward tendo de lidar com seus poderes recém-adquiridos. Sobra até para Jacob, que toma uma sova da mamãe vampira por ter tido um imprinting por sua filha – uma espécie de amor à primeira vista sem conotação sexual que faz o lobisomem se dedicar a proteger seu alvo.

    O conflito se dá quando os Volturi acham que Bella e Edward são pais de uma criança imortal, o que é considerado um crime grave entre a vampirada. Eles desconhecem que, na verdade, Renesmee foi concebida quando Bella ainda era humana, portanto, é meia mortal, meia imortal. Quando os Cullens descobrem que os Volturi estão indo puni-los pelo delito, resolvem reunir - entre seus amigos e familiares - testemunhas para convencer o clã italiano de que está equivocado. O problema é que Aro, o líder dos Volturi, parece mais interessado em aumentar o poder de sua família do que ser justo. Isso nos leva à boa surpresa supracitada.

    Crepúsculo de uma juventude

    Assisti a todos os filmes da franquia em sequência, um por dia, antes de ver a conclusão. Procurei identificar os pontos que fizeram de Crepúsculo um sucesso de público tão avassalador. O coroamento da história de amor de Edward e Bella começa, na verdade, com o êxito editorial da série de livros de Stephenie Meyer, que em pleno século 21 conseguiu tornar-se sucesso de vendas bebendo da fonte do Romantismo, movimento literário de surgiu na Europa da pós-Revolução Francesa.

    Trata-se de uma história de amor com toque sobrenatural, mas o fato é que este fica em segundo plano. O fio condutor dos livros e dos filmes é a paixão arrebatadora entre o casal, um amor idealizado, exacerbado, calcado no individualismo e egocentrismo - características marcantes do Romantismo - mas que também pode explicar a identificação fácil com o jovem atual, que parece gravitar em torno de seu próprio umbigo.

    Bella deseja Edward e isso é o que mais lhe importa, fazendo seu pai de gato e sapato ao longo dos filmes. Charlie é um personagem tão imaginário quanto os vampiros e lobisomens, pois, apesar de amar a filha, se mantém ao longo de toda trama numa postura passiva, numa espécie de sonho de consumo adolescente de alguém desejando fugir do controle dos pais.

    Para completar o pacote de atrativos para o público teen, principalmente as meninas, temos o amor idealizado e exagerado do casal de protagonistas. Edward mostra um cavalheirismo não condizente com nossa época: foge do contato físico e só pretende possuir sua amada após o casamento. Bella, por sua vez, parece saída de um romance do século XIX: jovem, inteligente e ao mesmo tempo humilde, amigável e dedicada. Desajeitada e tímida, conquista a adoração dos dois galãs da história, o que configura o desejo de qualquer menina que vive o drama de não se encaixar nos padrões de beleza e comportamento cada vez mais exigentes da sociedade atual.

    Stephenie Meyer buscou inspiração num movimento literário do passado para escrever seus best-sellers. O cinema enxergou o potencial da história e levou Edward e Bella às telas, transformando a Saga Crepúsculo em sucesso mundial. Um conto de fadas careta e anacrônico é o grande sucesso de bilheteria entre os jovens do século 21. Não me surpreenderia se, no futuro, acadêmicos se debruçassem sobre esse fenômeno e intitulassem algum trabalho com o nome “Crepúsculo de uma Juventude”.