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    A SORTE EM SUAS MÃOS

    Comédia romântica argentina flerta com a realidade e se dá bem
    Por Roberto Guerra
    19/08/2013

    Esta comédia romântica argentina, dirigida por Daniel Burman (do bom Ninho Vazio), pode causar certa estranheza ao público acostumado aos filmes norte-americanos do gênero. E isso se deve a seu forte senso de realidade e sua aproximação da vida cotidiana e suas imperfeições com a destreza habitual do cinema argentino.

    Se não fisga o espectador pela natureza heroica e romântica de seus personagens, A Sorte em Suas Mãos sustenta seu poder de atração nos defeitos e possíveis falibilidades de caráter de seus personagens. Um risco, em se tratando de comédias românticas, mas que Burman consegue driblar a contento.

    O filme gira em torno de Uriel, homem de meia-idade divorciado, pai de dois filhos, que se deparara com a chance de recuperar um amor perdido na juventude - Gloria, vivida pela atriz Valeria Bertuccelli. Mas nada aqui se assemelha àquelas histórias típicas sobre o inexorável destino que vai unir pessoas que nasceram uma para outra. Nada disso. Uriel é apenas um "pegador" solteirão que não perde a oportunidade de levar uma desavisada para cama.

    Quando encontra Gloria num cassino – ele é viciado em pôquer -, jogar seu charme para cima dela, principalmente quando percebe que a ex está saindo de um relacionamento falido. O pôquer no filme entra como uma metáfora da própria vida de Uriel, que, depois da separação, passou a jogar com as mulheres que cruzam sua vida. Blefa, seduz o oponente, e evita os riscos inerentes ao jogo do amor como quando convence seu médico – urologista que faz as vezes de seu psicólogo - de que precisa fazer uma vasectomia.

    Uriel é interpretado por Jorge Drexler, o ótimo cantor que faturou o primeiro Oscar de Melhor Canção concedido a uma música em espanhol, Al Otro lado del Río, por Diários de Motocicleta. Como ator – essa é sua estreia na telona – deixa a desejar. Não chega a fazer feio, longe disso, mas o papel é um tanto complexo para um iniciante. Em certos momentos, exprime com dificuldade as emoções do personagem, como se estivesse lendo o script para o diretor e perguntando: "É assim mesmo? Tá bom?".

    Passamos, então, a acompanhar o desenvolvimento da relação entre Uriel e Gloria, que parece depender muito mais da sorte e do acaso – como uma partida de carteado – do que dos blefes e estratégias premeditadas dos jogadores.

    Mesmo flertando com a realidade, Burman (também roteirista ao lado de Sergio Dubcovsky) não se arrisca além do necessário. Há sensibilidade, bom humor e um final feliz - antecedido do clima de tensão habitual - no filme. Uma prova de que é possível fazer diferente, mesmo dentro de um gênero de receita pronta.