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A TEORIA DE TUDO

(The Theory of Everything)

2014 , 119 MIN.

10 anos

Gênero: Drama

Estréia: 29/01/2015

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  • Ficha técnica

    Direção

    • James Marsh

    Equipe técnica

    Roteiro: Anthony McCarten

    Produção: Anthony McCarten, Eric Fellner, Tim Bevan

    Fotografia: Benoît Delhomme

    Trilha Sonora: Jóhann Jóhannsson

    Estúdio: Working Title Films

    Montador: Jinx Godfrey

    Distribuidora: Universal Pictures

    Elenco

    Adam Godley, Charlie Cox, Charlotte Hope, David Thewlis, Eddie Redmayne, Emily Watson, Enzo Cilenti, Felicity Jones, Harry Lloyd, John Neville, Maxine Peake, Richard Cunningham, Tom Prior

  • Crítica

    27/01/2015 16h27

    Por Daniel Reininger

    Alguns filmes são feitos para disputar o Oscar e abusam de determinados clichês para agradar a academia. Se mostrarem uma figura polêmica e sua luta para vencer dificuldades melhor ainda, principalmente se utilizarem todas as táticas conhecidas para emocionar a cada chance. É o caso de A Teoria de Tudo, que conta a história de Stephen Hawking, gênio que procurava respostas para a existência, enquanto seu corpo era destruído pela esclerose lateral amiotrófica, e sua mulher Jane, que ficou ao seu lado o quanto pôde, mesmo diante da dura realidade.

    Baseado no romance homônimo escrito por Jane, o filme funciona graças às atuações de Eddie Redmayne (Stephen Hawking) e Felicity Jones (Jane Hawking), capazes de demonstrar sentimentos e pensamentos complexos com simples olhares, fator reforçado pela câmera sempre em close nos protagonistas. Redmayne se transforma fisicamente para lembrar o gênio e impressiona pela forma como transmite muito sem dizer quase nada. Felicity está ainda melhor no papel da amorosa esposa, que é destruída pelas circunstâncias catastróficas de seu casamento. Conforme Stephen perde sua capacidade motora, Jane desmorona emocionalmente sem deixar transparecer à sua família, porém seus olhos deixam isso sempre evidente.

    O longa começa com Hawking conhecendo Jane na Universidade de Cambridge, em 1963. A partir daí ele passa a desenvolver teorias avançadas, se relacionar com a garota e, eventualmente, descobre sua terrível doença. Entretanto, o longa é incapaz de mostrar a magnitude das importantes descobertas sobre espaço-tempo do físico e faz uma salada com buracos negros e relatividade sem conteúdo ou capacidade de fazer o público entender a importância desses avanços. Não era precisa nos dar uma lição de física, mas o roteiro de Anthony McCarten poderia mostrar melhor o trabalho do físico.

    Quando Stephen e Jane se casam, o drama familiar toma conta da obra. Jane sacrifica sua vida para cuidar do marido e dos filhos. A previsão de dois anos de vida para Stephen se mostra totalmente fora da realidade e a vida de Jane não fica nada fácil com o tempo. É aí que entra Jonathan (Charlie Cox, que estará na série Demolidor), condutor de coral da igreja que bagunça as coisas ao passar a conviver com o casal diariamente, situação que não poderia acabar de outra forma: um triângulo amoroso. É mérito de Cox evitar qualquer traço de maldade enquanto se aproxima de Jane, e a complexa situação é tratada com delicadeza na tela, mas o diretor poderia ser mais ágil ou agressivo com essa subtrama, que, aos poucos, acaba por perder o sentido de ser explorada.

    Perto do fim, quando Hawkings está completamente incapacitado, a grande questão é a forma como nos comunicamos e nos relacionamos, mesmo sem palavras. A voz robótica do físico ganha vida com os movimentos faciais limitados de Redmayne. Além disso, pausas demoradas a cada conversa nos permitem estudar reações dos personagens ao invés de nos propiciarem respostas simples sobre seus pensamentos. O filme sempre deixa claro que a doença afeta apenas o corpo do gênio, não sua mente ou vontade de viver. A cena dele imitando o robô Dalek, de Doctor Who, mostra bem isso e nos faz refletir sobre a capacidade da humanidade de ir além das próprias limitações.

    Embora seja agradável de assistir e tenha bons momentos, A Teoria de Tudo se aprofunda demais num relacionamento melodramático e sua narrativa sofre com isso. Como consequência, não é capaz de deixar impressão duradoura após a saída do cinema, afinal se torna tão genérico quanto outros de temática similar. Apesar de duas das melhores atuações do ano elevarem a produção, a trama não tem coragem de ir além do básico e acaba entrando em colapso sobre o peso de sua própria narrativa, mais preocupada em fazer o espectador se emocionar ao invés de refletir.



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