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    A TERRA ENCANTADA DE GAYA

    Por Celso Sabadin
    22/05/2009

    A criançada se diverte assistindo na televisão ao seriado infantil A Terra Encantada de Gaya. Seus personagens são alguma coisa entre um elfo e um duende, com orelhas grandes e feições mais ou menos humanas. O que ninguém sabia, porém, é que o tal reino existe de fato. E mais: através de uma complicada engenhoca inventada por um cientista do mal, os habitantes de Gaya vêm parar aqui no nosso mundo real, que eles tampouco sabiam existir, causando uma série de confusões.

    A Terra Encantada de Gaya é o primeiro longa-metragem alemão (na verdade, co-produzido com Espanha e Inglaterra) feito totalmente em computadores. Está a anos-luz de uma Pixar ou uma DreamWorks, mas mesmo assim diverte. Escrito a seis mãos, incluindo a colaboração de Don MacEnery e Bob Shaw (roteiristas de Hércules e Vida de Inseto), o roteiro do desenho ensaia uma metalinguagem interessante, na qual os personagens do seriado animado acabam sendo colaboradores do próprio escritor das histórias, brincando com a relação criador/ criatura. Existe, no caso, uma situação muito similar à condição de Buzz Lightyear no primeiro Toy Story, no qual ele ainda não se percebia como um simples brinquedo, pensando ser um astronauta de verdade. Os habitantes de Gaya também só descobrem que são "meros" personagens quando caem na Terra. Mas há um porém: se acabam influenciando no texto do próprio criador do seriado, eles deixariam esta condição de passividade para assumir os caminhos dos próprios destinos. Calma, calma, é claro que o público infantil não vai ligar muito para isso. Afinal, como diz o poeta, só é possível filosofar em alemão. Mas é provável que muito estranhem a animação dura e de poucos recursos, principalmente a nova geração já acostumada a padrões de qualidade mais elevados.

    As cópias em cinema - somente disponíveis dubladas em português - trazem um atrativo a mais: as vozes dos personagens principais são feitas pela turma do programa Pânico na TV. Com destaque para Sabrina Sato, que mantém o seu forte sotaque interiorano na caracterização da heroína Alanta, o que acaba arrancando gargalhadas da platéia. É uma espécie de "vingança paulista" bem-humorada, após tantos desenhos dublados em carioquês. As vozes originais de Patrick Stewart e Emily Watson só poderão ser conferidas quando o filme for lançado em DVD.

    A Terra Encantada de Gaya marca o trabalho final do grande compositor de trilhas sonoras Michael Kamen (quase 100 títulos em seu currículo), que faleceu antes mesmo de terminar completamente esta sua última trilha sonora.