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    A TRAVESSIA

    Tensão na corda bamba marca tônica da cinebiografia
    Por Edu Fernandes
    06/10/2015
    7/10

    A TRAVESSIA

    12
    Drama

    Desde a lendária fuga em massa do trem nos primeiros filmes dos irmãos Lumiere, o cinema busca imergir o espectador em experiências sensoriais. Em A Travessia, o diretor Robert Zemeckis (O Voo) traça o mesmo objetivo, só que em uma corda bamba no alto das torres gêmeas da Nova York dos anos 1970.

    O longa conta a mesma história real que foi tema do premiado documentário O Equilibrista (2008). O artista circense Philippe Petit sonha em deixar sua terra, atravessar o oceano e fazer uma proeza inesquecível nos prédios em construção em Manhattan.

    No novo filme, o próprio Philippe (Joseph Gordon-levitt , de Sin City 2: A Dama Fatal) funciona como narrador e mestre de cerimônia. Do alto da Estátua da Liberdade, conta para a plateia cada passo de sua jornada. Apesar de sua simpatia, a narração é em muitos momentos excessiva e redundante. Na verdade, sua função é aumentar o número de falas em inglês para agradar ao público estadunidense, avesso a legendas.

    Esse desejo pelo idioma fica claro em diversas cenas, quando o roteiro procura pretextos mais ou menos convincentes para que os personagens falem inglês, apesar de serem franceses. Petit falar em mais de uma oportunidade que quer conversar no idioma estrangeiro para praticar para sua viagem à América. No final das contas, melhor algumas desculpas esfarrapadas do que filmes que atropelam a coerência linguística sem qualquer tipo de explicação.

    O maior atrativo de A Travessia, como o próprio título anuncia, é contemplar a caminhada do protagonista a mais de 400 metros de altura. No entanto, o feito só é visto no final do filme e, até lá, o roteiro se ocupa em explicar o sonho de Petit e seu plano para desempenhar a empreitada ilegal.

    Na concepção e execução do plano estão os alívios cômicos da produção. Philippe reúne um improvável grupo de colaboradores, que inclui um executivo infiltrado (Steve Valentine, de Crossing Jordan) e até uma dupla de maconheiros. Além disso, faz um longo trabalho de espionagem que inclui o uso de disfarces e outras artimanhas.

    A preparação envolve e entrega o público para o clímax nas alturas. Na travessia em si, o uso do 3D se faz evidente, o que causa aumento dos batimentos cardíacos de quem está sentado na beira da poltrona, entre outros sintomas. A imersão é tamanha que em algumas sessões de pré-estreia houve espectadores que sucumbiram ao desfecho. Essa é a prova cabal da eficiência do filme.