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    A ÚLTIMA CASA DA RUA

    Filme consegue o que a maioria nem chegou perto em 2012: deixar o espectador tenso e inquieto na poltrona<br />
    Por Roberto Guerra
    06/12/2012

    A primeira meia hora deste misto de terror e suspense não empolga muito. O clima de déjà vu é cristalino e seguimos adiante certos do que nos espera. Pior: convictos de que, provavelmente, não passará de plágio do que vimos e revimos nos últimos anos. Temos lá uma casa onde um casal foi brutalmente assassinado, uma menina macabra com cabelos longos cobrindo a fronte, novos e incautos vizinhos e, se não bastasse, um bosque soturno. Mas...

    Quem vai morar na bela mansão ao lado da casa onde aconteceu a tragédia é Sarah (Elizabeth Shue, de O Homem sem Sombra) e Elissa (Jennifer Lawrence, de Jogos Vorazes), que conseguem alugar o espaçoso imóvel justamente por ter se desvalorizado após o crime. Os poucos e amigáveis vizinhos não demoram a dar detalhes do ocorrido anos antes: o casal foi morto pela própria filha, uma jovem de 13 anos atormentada. A menina desapareceu desde então e a lenda urbana que faz a alegria dos churrascos da vizinhança é dizer que ela habita a floresta. Tudo muito previsível, mas...

    Ao menos aqui temos duas boas atrizes como protagonistas. Jennifer e Elizabeth dão veracidade à relação conturbada na qual a mãe tenta se aproximar da filha depois de dramas familiares do passado. E, mesmo quando tomam um susto-clichê ou começam a desconfiar que algo estranho possa estar acontecendo, são mais autênticas do que a maioria dos pseudoatores que habitam o universo de filmes do gênero.

    O imóvel agora é habitado por um único morador, Ryan (Max Thieriot), o filho do casal morto. Um tipo fechadão e de poucos amigos que a vizinhança classifica como “estranho”. E como todo adolescente gosta de ir contra o senso comum, Elissa vai se aproximar justamente dele, para contrariedade da mãe e dos novos amigos que a jovem fez no colégio. A essa altura do filme o espectador já descobriu alguns segredos que envolvem Ryan e Carrie Anne, sua irmã desaparecida. Nada, no entanto, verdadeiramente assustador, mas...

    ...Em dado momento o filme dá uma reviravolta e começa a surpreender. Os acontecimentos que pareciam encaminhar o longa para um final óbvio mudam de rumo e A Última Casa da Rua fica de fato interessante. O que a audiência não alimentava até então, dúvidas, começam a surgir e o clima de tensão aumenta consideravelmente. Isso não impede a produção de recair em lugares-comuns aqui e ali, mas são lapsos perdoáveis que não mínguam o nível de apreensão do espectador sobre os próximos acontecimentos.

    A Última Casa da Rua não é brilhante nem o suprassumo da autenticidade, mas consegue o que a maioria dos filmes de terror e suspense lançados em 2012 nem chegou perto: deixar o espectador ansioso e inquieto na poltrona do cinema.