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    A ÚLTIMA CEIA

    Por Celso Sabadin
    22/05/2009

    Foram seis anos para viabilizar a produção. E apenas cinco semanas de filmagens propriamente ditas. A trajetória de A Última Ceia pelos bastidores de Hollywood não foi das mais simples. Tudo começou com Will Rokos e Milo Addica, dois roteiristas estreantes que escreveram o filme com a intenção de realizar um projeto de baixo orçamento, em que eles próprios seriam os atores principais. Porém, a força do texto atraiu alguns figurões - casos de Robert De Niro, Tommy Lee Jones, Sean Penn e Oliver Stone, por exemplo – que se interessaram pela idéia e estariam dispostos a concretizar o projeto. Contudo, nomes deste porte elevariam o orçamento do filme às alturas. E dificilmente um grande estúdio investiria uma grande soma numa trama tão triste como a de A Última Ceia.

    O projeto acabou sendo bancado pela Lions Gate (a mesma produtora de Deuses e Monstros), com ótimos resultados: o filme conquistou duas indicações para o Oscar (Roteiro Original e Atriz para Halle Berry) e já faturou nas bilheterias americanas o quádruplo do seu tímido custo de US$ 4 milhões.

    A trama é densa, pesada e adulta e fala do encontro de duas pessoas totalmente diferentes entre si, mas com uma grande dor em comum: a perda de um filho. Hank (Billy Bob Thornton de O Homem que Não Estava Lá) é um agente penitenciário, racista e implacável que não demonstra amor sequer pelo próprio filho Sonny (Heath Ledger, o astro de Coração de Cavaleiro). Leticia (Halle Berry de A Senha: Swordfish) é uma garçonete negra que aguarda amargamente pela execução de seu marido, um criminoso condenado à cadeira elétrica. As vidas de Hank e Leticia parecem ter entrado na mais profunda espiral negativa, em que não faltam tragédias e sofrimentos dos mais profundos. O que poderia desencadear um encontro entre ambos? Que sensações – de amor ou de ódio – poderiam nascer a partir daí?

    O jovem diretor suíço Marc Forster costura as vidas de Hank e Letícia com precisão artesanal. Com talento e até crueldade, ele demonstra igual competência tanto na direção de cenas violentas (todas elas impressionantemente cruas) como nas de sexo. Forster descarta o espetáculo plasticamente hollywoodiano, foge do lugar comum e mergulha na introspecção das emoções. Pode-se dizer que A Última Ceia é tão humano que nem parece um filme americano.

    Os roteiristas Will Rokos e Milo Addica, premiados internacionalmente com este trabalho de estréia, não apenas escreveram um belo filme como também alcançaram finalmente o objetivo de participarem da produção como atores: ambos aparecem em A Última Ceia, embora em pequenos papéis.

    21 de março de 2002
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    Celso Sabadin é jornalista e crítico de cinema da Rádio CBN. Às sextas-feiras, é colunista do Cineclick. celsosabadin@cineclick.com.br