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    A ÚLTIMA ESTAÇÃO (2012)

    Filme corre contra o tempo e desenvolve mal coadjuvantes
    Por Roberto Guerra
    23/09/2013

    Produzido a partir de roteiro de Di Moretti (Cabra-Cega), o filme dirigido por Márcio Curi exibe com sensibilidade e bom humor, a trajetória dos imigrantes libaneses no Brasil. Seu protagonista é Tarik, libanês que embarca rumo ao Brasil em 1950 ao lado do irmão mais novo, Karim.

    Durante a longa travessia de navio, os irmãos conhecem e tornam-se amigos de outros meninos árabes e sírios na mesta situação. A juventude passa e a vida de cada um desses jovens segue seu caminho, o que termina por afastá-los. Quase meio século depois, Tarik decide cumprir algumas promessas e atravessa o Brasil, na companhia da filha Sâmia, em busca dos companheiros que fizeram com ele a viagem de suas vidas 50 anos antes.

    Com boa reconstituição de época, bela fotografia e elenco afiado, o filme segue a risca a cartilha dos road movies, com seu personagem se autodescobrindo como imigrante, pai e homem ao longo da viagem. No caminho, Tarik ainda estreita laços com a filha, interpretada pela atriz Klarah Lobato, o alívio cômico do filme, e conhece na Bahia a personagem vivida por Elisa Lucinda, que abre a perspectiva de um novo amor ao viúvo desiludido. Neste ponto, A Última Estação é bem-sucedido, conseguindo alternar bem momentos de forte carga emocional e passagens descontraídas.

    Tecnicamente bem produzido, o longa surpreende pelo orçamento de R$ 3,4 milhões, relativamente baixo para uma produção desse padrão. Direção de arte, bons enquadramentos e o caprichado trabalho de finalização, no entanto, não conseguem disfarçar alguns problemas do filme. A produção se ressente com as muitas elipses que soam pouco naturais e parecem saltos temporais bruscos demais, privando o público de se demorar mais sobre personagens e situações vitais à trama. Em diversos momentos, tem-se a sensação de que a história parece correr contra o tempo, o que causa certo incômodo.

    Outro problema está no quarto final do filme, quando Tarik chega a Belém do Pará. Aqui o filme ganha ares institucionais, até mesmo em sua trilha sonora. No afã de agradecer o apoio do governo do Estado, o diretor errou a mão ao ultrapassar os limites da ambientação e tentar mostrar as belezas naturais, pontos turísticos, culinária e as atividades culturais do Pará, o que, na maioria das vezes, mostra-se totalmente dispensável do ponto de vista da narrativa.

    Filmado em diversas localidades brasileiras e no Líbano, que coproduziu o longa, em A Última Estação destaca-se do trabalho do ator e diretor libanês Mounir Maasri no papel de Tarik. A força cênica do personagem, seu carisma e densidade nos ajudam a relevar (até certo ponto) o tom pressuroso do filme, o mal desenvolvimento de alguns coadjuvantes e a montagem que resolve mal a passagem do tempo fílmico.