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    A ÚLTIMA NOITE (2006)

    Por Celso Sabadin
    02/11/2006

    Por esta, poucos esperavam. Após ganhar o Oscar "especial" que a Academia resolve dar para os cineastas em fim de carreira e depois de confessar que sofreu um delicadíssimo transplante de coração, Robert Altman volta mais jovem do nunca no delicioso A Última Noite, que mistura comédia, drama e musical, mais ou menos baseada em fatos reais. E por que "mais ou menos"? Porque o filme mostra o que seria a última noite de um show musical chamado A Prairie Home Companion, espetáculo da cultura country encenado todos os sábados no palco do Fitzgerald Theater (interior do Estado de Minnesota) e transmitido ao vivo pela rede pública de rádio há mais de 30 anos. Como o teatro foi comprado por um grupo capitalista, ele será demolido no dia seguinte a este derradeiro show. No caso, quase tudo é verdade. A única ficção da história é que - felizmente - o teatro não foi vendido e o show continua até hoje. O resto é verdade.

    Em A Última Noite, Altman volta a demonstrar toda a sua genialidade e precisão de estilo ao entrelaçar as vidas dos mais variados personagens sem perder o fio da meada, nem cair na armadilha da superficialidade. Da mesma forma que já havia feito em Short Cuts - Cenas da Vida, Assassinato em Gosford Park e Prêt-a-Porter, entre outros. O espectador é convidado a participar dos bastidores e da intimidade dos artistas e técnicos que se aprontam para o show. Nem todos sabem que aquele será o último. Com precisão artesanal, Altman vai tecendo uma impagável teia de preciosos personagens recheados com alguns dos mais deliciosos diálogos que o cinema viu nos últimos anos. Ligando todos eles está o apresentador do show, GK, vivido por ninguém menos que ele próprio: GK é Gerrison Kellor, que além de ser o apresentador do espetáculo da vida real, também é o autor da idéia e do roteiro do filme de Altman.

    A Última Noite é um filme que dá vontade de rever assim que a projeção termina. Não só para saborear novamente os já citados diálogos, como também para ouvir outra vez os divertidíssimos jingles publicitários dos supostos patrocinadores do espetáculo. O interminável "anúncio" de uma tal fita adesiva já pode ser considerado antológico.

    Trata-se de um filme para ver, rever, comprar o roteiro e o CD da trilha sonora.