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    A VIAGEM (2012)

    Histórias com conexões frágeis e longo tempo de duração fazem do filme um exercício cansativo
    Por Roberto Guerra
    08/01/2013

    Há excesso de maquiagem em A Viagem. Parte dela está no rosto dos atores, que interpretam personagens diversos em diferentes épocas, e outra na tentativa de camuflar a falta de estofo do roteiro escrito pelos diretores Tom Tykwer e Andy e Lana Wachowski. O longa se pretende filosófico e reflexivo ao tratar das relações humanas: Teriam nossas decisões a capacidade de mudar o rumo da existência de outras pessoas, mesmo em épocas diferentes?

    Partindo dessa premissa atraente, A Viagem mostra-se excessivamente ambicioso e prolixo em sua execução. Na tentativa de mostrar algo novo e experimental, seus realizadores renunciaram ao simples e se perderam tentando dar aura inventiva para algo que funcionaria a contento se trilhasse um caminho mais fácil. E optar pelo simples não significa necessariamente ser óbvio.

    Confuso, inchado – com insensatos 172 minutos de duração -, A Viagem consegue tornar volúveis mesmo seus momentos interessantes – e eles existem – num desenrolar tortuoso que mina a energia narrativa que poderia brotar de seu argumento. Resta ao público acompanhar, a certa altura já entediado, o desenvolvimento claudicante das seis tramas que compõem a obra.

    O roteiro intercala este sexteto de histórias que se estende do século 18 a um futuro não especificado no qual a maioria dos humanos voltou a viver de forma primitiva. Os enredos pretendem conexão entre eles, mas estas são tênues e mal alinhavadas e tem-se a sensação de estar vendo fragmentos de vários filmes ao mesmo tempo. Uma produção sobre humanos que esquece que estes veem a vida não como uma série de ideias e eventos desconexos, mas criando uma narrativa coerente sobre eles.

    Entre as histórias fragilmente conectadas estão a de Adam Ewing (Jim Sturgess), que vivencia os horrores do tráfico de escravos no século 18 e cuja decisão sobre o futuro de um escravo clandestino irá mudar os rumos de sua vida e de outras pessoas. Paralelamente, acompanhamos as desventuras de Robert Frobisher (Ben Whishaw), que em 1936 trabalha para um compositor interpretado por Jim Broadbent e busca compor a música perfeita. Já na década de 70, o amante de Frobisher, Rufus Sixsmith (James D'Arcy), incita a jornalista Luisa Rey (Halle Berry) a investigar uma usina nuclear onde Sixsmith trabalha.

    Há também um editor de livros, vítima da vingança do irmão mais velho (Hugh Grant). Este o coloca involuntariamente numa casa de repouso. Sua história, transformada em filme, relaciona-se com a de um clone chamada Sonmi-451 (Doona Bae), em Nova Seul, em 2144. Ela se rebela e vira uma espécie de deusa num futuro distante onde os humanos voltaram a viver de forma primitiva. Lá, Zachry (Hanks) e Meronym (Berry) intentam descobrir o que aconteceu com seus antepassados numa montanha que Zachry acredita ser assombrada pelo diabo (Hugo Weaving, que interpreta quase todos os vilões do filme).

    Em seus minutos finais, um trabalho de montagem que deve ter deixado os editores estressados consegue até dar certa unidade a tudo que foi visto. Mas é tarde demais. A essa altura o público jaz na poltrona, cansado e enfastiado desta longa e inconstante viagem.