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    A VIDA DE OUTRA MULHER

    Apesar de indefinições sobre que caminhos seguir, filme tem alguns momentos divertidos<br />
    Por Roberto Guerra
    13/08/2012

    Em seu primeiro trabalho como diretora, a atriz francesa Sylvie Testud (Piaf - Um Hino ao Amor) faz uma viagem no tempo com sua personagem principal, Marie Speranski (Juliette Binoche), jovem de 26 anos que, depois de uma noite de amor, salta no tempo e acorda aos 41.

    Ela agora é casasa, rica (mora em uma mansão com vista privilegiada para a Torre Eiffel) e tem um lindo filho. Muitas coisas ocorreram nesses 15 anos e Marie não se lembra de absolutamente nada. Mais: sua vida está longe de ser o que projetava quando jovem.

    Histórias de lapsos temporais que deixam um ou mais personagens perdidos já foram bem exploradas no cinema e, em geral, dão margem a comédias nas quais vemos as desventuras do protagonista tentando entender o que aconteceu. A Vida de Outra Mulher não é uma comédia, mas usa do mesmo expediente para pontuar a história com humor, que surge de Marie tentando descobrir como funciona a rotina de sua vida agora.

    Essas situações divertidas servem de alívio cômico para o que parece ser o objetivo maior do filme: propor uma reflexão sobre como conduzimos nossas vidas por caminhos indesejados sem termos noção disso. A Marie de 41 anos é uma mulher poderosa, temida, que dá pouca atenção ao filho e marido e passou os últimos anos dedicada à carreira de executiva. Não à toa está prestes a se separar de seu grande amor - a paixão que sentia por aquele homem com quem dormiu se desvaneceu no salto temporal. Durante o filme vemos Marie tentando recuperar o amor do marido e descobrir que atitudes tiraram sua vida dos trilhos que imaginava aos 26.

    A Vida de Outra Mulher se propõe a ser uma comédia-romântica-dramática, o que acaba por trazer certa instabilidade à trama e seus protagonistas. A talentosa Juliette Binoche tenta achar um tom afinado para seu personagem, mas como o filme não acha o próprio tom sua Marie fica um pouco perdida, apesar do nítido esforço da atriz para ao menos não a deixá-la perder a veracidade na tela. Outro bom ator prejudicado pelo enredo é Mathieu Kassovitz (O Fabuloso Destino de Amélie Poulain), que interpreta o marido desiludido e indiferente. Ele não pôde oferecer muito no espaço cênico limitado e engessado dado a ele no filme.

    Não se trata de uma produção ruim de apreciar. Tem seus momentos divertidos e é até mesmo capaz de nos leva à reflexão sobre nossas ações e suas consequências ao longo do tempo. Mas nada capaz de legitimar os muitos caminhos que tenta trilhar de uma só vez, o que o faz se perder nos propósitos que a própria diretora não conseguiu definir ao certo quais seriam.