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    A VIDA INVISÍVEL

    Por Thamires Viana
    21/11/2019
    10/10

    A VIDA INVISÍVEL

    16
    Drama

    A cena inicial de A Vida Invisível, novo filme de Karim Ainouz e representante do Brasil na corrida pelo Oscar 2020, já nos apresenta um simbólico desencontro de Eurídice (Carol Duarte/Fernanda Montenegro) e Guida (Julia Stockler), duas irmãs que buscam a liberdade de ser quem são em plena década de 50. Elas se perdem uma da outra no meio da mata, e entre gritos e olhares amedrontados, mostram que o amor e o amparo serão capazes de ultrapassar uma vida inteira. 

    Eurídice, a caçula, tem 18 anos e sonha em estudar em um conservatório na Áustria para se tornar uma pianista profissional, enquanto Guida, no auge dos seus 20 anos, busca viver uma grande história de amor. A parceria entre as irmãs é admirável, mas elas acabam sendo separadas pelo pai, um homem conservador e autoritário, e forçadas a viver distantes uma da outra.

    A caçula, agora casada e mãe, anula-se gradualmente, tornando-se triste e calada. O sonho profissional fica em segundo plano, já que na ausência da irmã, a pressão dos pais para que ela forme uma família fica ainda maior. Sem amparo, a jovem passa a servir ao marido e à casa. Em outro extremo, Guida, que não desiste de reencontrar Eurídice, mescla seu tempo entre o trabalho na fábrica e o cuidado com o filho. Sempre à frente de seu tempo, a mulher destemida que sonhava em encontrar o verdadeiro amor se torna reprimida em relação aos próprios sentimentos, e usa sua força para garantir o bem-estar dos que estão ao redor, esquecendo de si mesma.

    Baseado no romance escrito por Martha Batalha e adaptado para os cinemas pelas mãos de Murilo Hauser, Inés Bortagaray e Karim, o filme desenvolve o desencontro familiar de forma densa, fazendo o espectador criar vínculos com as personagens. Além disso, a trama é atual e direta, abordando assuntos delicados de forma escancarada e realista. No decorrer do longa, a perspectiva em relação às personagens muda, sendo acompanhada pela fotografia (assinada por Hélène Louvart) que vai se tornando mais acizentada e obscura. A técnica aprofunda o público nos sentimentos vivenciados na tela, tornando a experiência ainda mais emocional. 

    O invisível que o título carrega não é a toa. A forma profunda como Karim aborda a história das irmãs é minimamente pensada para explorar suas invisibilidades e a dissolução de seus sonhos perante à sociedade machista em que vivem, principalmente na década em que o longa é ambientado. Sem saída, Eurídice e Guida se entregam à realidade de suas novas vidas, enquanto se cercam de mentiras e abusos, algo, infelizmente, comum para as mulheres até os dias atuais.