cineclick-logo
    botão de fechar menu do cineclick
  • FILMES
  • NOTÍCIAS
  • CRÍTICAS
  • LISTAS
  • © 2010-2021 cineclick.com.br - Todos os direitos reservados

    A VISITA

    Não foi dessa vez que Shyamalan voltou a surpreender
    Por Daniel Reininger
    24/11/2015

    Com olhar afiado para o lado sinistro da vida, M. Night Shyamalan é um diretor que deveria se manter no gênero terror. Com A Visita, mostra que é capaz de assustar e incomodar quando o bizarro e o assustador são o foco de seu filme. Ainda assim, o humor fora de hora e cenas esquisitas não conseguem tirar o diretor de O Sexto Sentido da maré de filmes fracos que se encontra na última década.

    Na trama, Tyler e Rebecca são irmãos adolescentes que viajam para a Pensilvânia rural para conhecer seus avós, que passaram décadas brigados com sua mãe. A garota é uma aspirante a cineasta e quer documentar o passeio como uma forma de terapia para sua mãe, que mantém as razões para a briga com os pais como segredos guardados a sete chaves. Chegando à casa dos avós, encontram dois simpáticos velhinhos, aparentemente normais, mas que se mostram cada vez mais debilitados e estranhos conforme os dias passam.

    A viagem é contada através das lentes dessas duas crianças, o que traz uma grande franqueza para o longa, apesar dos comentários óbvios e, muitas vezes, desnecessários ao longo de todo o filme. Os atores mirins possuem boa química e com duas câmeras nas mãos desvendam aos poucos os mistérios da casa dos avós. Conforme as coisas ficam tensas, o estilo found footage de terror começa a ganhar forma e os sustos até funcionam.

    Apesar disso, outros tantos sustos são totalmente ridículos e fazem do filme uma fraca mistura de horror e comédia, que simplesmente não funciona. É bom ver Shyamalan tentando fazer algo novo, porém, ele não chega a ser subversivo como o jovem Peter Jackson ou Sam Raimi e cria uma aventura esquisita, que não sabe se quer ser suspense, terror ou comédia adolescente. O final é prova disso e talvez seja o momento mais decepcionante do longa.

    Esse não é o único problema, o filme é genérico demais, afinal, utiliza diversos clichês do gênero, e as repetições para reforçar a estranheza da situação dos protagonistas não ajudam em nada. Ainda mais pelo fato do suspense começar logo, mas evoluir pouco, tomado por redundâncias dispensáveis para o avanço da trama. As reviravoltas então são previsíveis demais e furos inexplicáveis no roteiro também só atrapalham.

    Como todo filme do diretor, a lição de moral está lá: A trama serve para nos lembrar de que precisamos perdoar as pessoas amadas, antes que seja tarde demais, e nunca deixar eventos do passado controlar nossas vidas. Esse ensinamento final é algo constante na filmografia do cineasta e, nesse filme, parece algo ainda mais jogado e forçado do que em suas produções anteriores. Uma pena, mas A Visita é mais um fraco filme para a longa lista de fracassos do diretor que, um dia, nos surpreendeu.