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    ABRAHAM LINCOLN: CAÇADOR DE VAMPIROS

    Filme se leva a sério demais e simplesmente não funciona, sendo frio, sem graça e tosco<br />
    Por Daniel Reininger
    06/09/2012

    Quando você vê o cartaz de um filme chamado Abraham Lincoln: Caçador de Vampiros já espera ver algo divertido que, com certeza, não deve ser levado a sério, certo? A maioria das pessoas diria que sim, só o diretor Timur Bekmambetov (9 – A Salvação) não entendeu isso e resolveu recontar a vida do presidente norte-americano, que por acaso é um caçador de vampiros, como se fosse um drama épico.

    Com a óbvia exceção da existência dos sugadores de sangue, o roteirista Seth Grahame-Smith, que adaptou seu próprio livro para as telonas, se manteve fiel à vida do presidente ao mostrar fatos importantes de sua vida: a perda de sua mãe, como isso o impulsionou a se tornar um advogado e como viu na política o meio para conseguir mudar o seu país. As dúvidas e dificuldades do período da Guerra Civil americana também estão lá, mesmo que de forma rasa.

    Curiosamente, o enredo é o menor dos problemas do filme. O roteiro até justifica de forma plausível as ações de Lincoln (Benjamin Walker). Ele e seu pai acabam batendo de frente com um escravista (na verdade, um vampiro) que, em busca de vingança, mata a mãe do jovem na sua frente. Ele decide então se vingar, porém, quando finalmente tenta anos mais tarde, falha e quase morre. É então recrutado por Henry Sturgess (Dominic Cooper), que vira seu mentor e o ensina a matar vampiros - os dois garantem alguns dos melhores momentos do filme. No entanto, ele só poderá confrontar o assassino de sua genitora após cumprir algumas missões para Henry, que luta contra uma conspiração vampiresca que ameaça os EUA.

    Tudo bem, a história é forçada, mas nada fora do esperado para a premissa. O problema mesmo é a mistura de horror, que não consegue dar sustos em momento algum, e de ação, que dá vontade de dormir e nem mesmo consegue ser bobo o suficiente para divertir pelo lado trash.

    E outra: se tem uma coisa que eu não tolero em filmes de vampiro (e se brilha no sol não é vampiro) é as criaturas da noite usarem protetor solar e óculos escuros para andarem ao sol. Boa parte da graça do mito dessas criaturas é a sua dificuldade de agir durante o dia e a necessidade de passarem despercebidas com seus hábitos noturnos ou, caso não consigam, terem que se isolar como aberrações. Se eles podem andar a qualquer hora, como um humano, até o mocinho devia decidir entrar para o clubinho e curtir os superpoderes. Não perdoo nem Blade até hoje por isso. Pelo menos lá o herói tem habilidades sobre-humanas mesmo.

    Para piorar, Abraham Lincoln: Caçador de Vampiros está repleto de situações nonsense, como uma bala de canhão que, ao explodir contra tropas inimigas (sulistas), lança ao ar (em close) um garfo de prata com as iniciais do presidente (oi?). Até que os efeitos visuais são bons, mas em geral as coreografias são esquisitas e as cenas em câmera lenta não funcionam. Sem falar que a fotografia muda a tonalidade a cada cena, variando de tons azulados, dourados ou sépia. Desnecessário e exagerado.

    Outro problema é a maquiagem. Alguns trabalhos convencem, outros não, como o realizado em Mary Todd (Mary Elizabeth Winstead) aos 50 anos - patética. Os cenários também não são dos melhores e mais lembram um parque de diversão do que uma recriação dos Estados Unidos do século XIX. Dito isso, o machado que vira uma pistola é bem legal, assim como uma luta entre o caçador e um vampiro em meio a centenas de cavalos selvagens fugindo a milhão.

    A correria não se resume apenas a algumas cenas, mas reflete todo o andamento do longa, que não dá tempo ao espectador respirar, ao atirar cenas importantes na tela sem dó. Por isso mesmo, nenhum aspecto da vida de Lincoln é aprofundado. O que, convenhamos, seria compreensível se a parte de arrebentar crânios de vampiros com um machado fosse melhor aproveitada. Nem sangue tem, poxa – decepção.

    Ao contrário do esperado, Abraham Lincoln: Caçador de Vampiros é um filme frio, sem graça e tosco – e não naquele bom sentido que ainda consegue arrancar risadas dos espectadores – é só ruim mesmo. Mary Elizabeth Winstead, Dominic Cooper e Benjamin Walker ainda tentam, mas é simplesmente impossível salvar alguma coisa. Agora é esquecer o leite derramado e torcer para que Orgulho e Preconceito e Zumbis seja um pouco melhor.

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