cineclick-logo
    botão de fechar menu do cineclick
  • FILMES
  • NOTÍCIAS
  • CRÍTICAS
  • LISTAS
  • © 2010-2021 cineclick.com.br - Todos os direitos reservados

    ACIMA DAS NUVENS

    Juliette Binoche encanta em drama nada convencional
    Por Gustavo Assumpção
    08/01/2015

    Em suas poucas inserções como diretor, o francês Olivier Assayas se mostrou um mestre da sutileza. Em Acima das Nuvens, selecionado para a mostra principal do Festival de Cannes de 2014, o diretor honra sua filmografia e constrói, com glamour e inteligência, uma sátira melancólica da Hollywood dos nossos tempos.

    Acima das Nuvens é construído em camadas e mostra em primeiro plano a relação entre Maria Enders (personagem de Juliette Binoche) e sua assistente Valentine (Kristen Stewart em seu melhor momento). Ela é uma atriz consagrada cujo primeiro papel marcou sua trajetória para sempre. Ela interpretou Sigrid, uma jovem mulher que seduz e abandona Helena, sua chefe velha e solitária. Vinte anos depois, Maria aceita encenar o mesmo texto, só que dessa vez interpretando a frágil Helena.

    Radicada em Sils Maria, nos alpes suíços, Maria ensaia exaustivamente com Valentine e vive a expectativa de contracenar com Jo-Ann Ellis (Chloë Grace Moretz), uma atriz promissora, mas que vive envolvida em escândalos. É nessas relações que Assayas constrói um filme que opõe as múltiplas relações entre essas mulheres e seus personagens, lembrando a complexidade de clássicos como  Quando Duas Mulheres Pecam (cuja semelhança é mais óbvia) e A Malvada.

    Juliette Binoche mostra grande forma aos 50 anos e dosa bem as emoções e dúvidas dessa atriz. Longe do estrelismo superficial, a personagem criada por Assayas parece servir para manifestar a inversão de valores que parece incomodá-lo. Há sequências realmente divertidas, principalmente a que Maria e sua assistente vão ao cinema assistir a um "filme de super-herói" e debatem sobre a difícil coexistência entre cinema de arte e mero entretenimento. "Estou cansada de viver pendurada em fios e trabalhar na frente de telas verdes", confidencia.

    Cada sequência de Acima das Nuvens é encerrada com um fade teatral, algo como se estivéssemos assistindo atos de uma longa peça, construída para nos provocar a cada novo diálogo. A percepção de que esses personagens vão absorvendo uns aos outros cria um certo desconforto, mas levanta um grande questionamento: até que ponto não é a relação com o outro - real ou fictício - que define o nosso comportamento?