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    AD ASTRA - RUMO ÀS ESTRELAS

    Por Daniel Reininger
    24/09/2019

    Ad Astra - Rumo Às Estrelas poderia ser um filme divertido sobre exploração espacial ou filosófico e reflexivo sobre a busca por Deus e o lugar da humanidade no universo, mas decide ser mais do mesmo com ar pretensioso e tom monótono. Brad Pitt está no elenco para chamar a atenção no papel de Roy, um astronauta com a missão de viajar a Netuno para encontrar seu pai perdido (Tommy Lee Jones), que pode ou não ter criado uma estrutura capaz de ameaçar a humanidade.

    Roy atravessa um espaço hostil, em guerra por recursos, enquanto contempla o que pode ter acontecido com seu pai e, por fim, com ele mesmo. É uma versão sci-fi de O Coração das Trevas, romance escrito por Joseph Conrad em 1902, ou Apocalypse Now de Francis Ford Coppola, por sua vez, inspirado no livro em questão.

    Talvez o grande mérito de Ad Astra seja o mundo criado para contar essa história. Podemos realmente ver um futuro próximo com bases lunares semelhantes a aeroportos, gangues de piratas atacando comboios na lua e terapia feita por computadores. É tudo muito bem construído e realista.

    Além disso, as cenas espaciais também são de tirar o fôlego, com fotografia lindíssima, ambientes espaciais inspiradores e veículos com design bastante realista. Sem falar que os efeitos especiais são de muita qualidade.

    O problema é que a narrativa se perde pouco depois de uma incrível sequência dentro de uma espaçonave abandonada, com direito a ataque de uma criatura bizarra e muito sangue. Só que logo depois desse grande momento, as coisas ficam lentas e contemplativas, mas sem fornecer conteúdo suficiente para reflexão.

    A exploração dos problemas de pai e filho se tornam o centro da obra (eu falei que era mais do mesmo) e o roteiro passa a explorar uma série de metáforas sobre Deus, ou a falta dele, e o sentido da vida. Até é interessante, mas faltam profundidade e principalmente reviravoltas para tirar as coisas da monotonia ou, ao menos, chocar. Por boa parte do filme, senti como se estivesse vendo uma cópia de 2001, mas sem o final impactante.

    Ad Astra é sim um thriller inteligente para adultos, mas definitivamente falha por pesar tanto cada questão desnecessária e deixar de explorar outros pontos realmente fascinantes. Com isso, o próprio impacto emocional do filme é prejudicado e o longa se torna uma obra de um tom só, extremamente cansativo e menos estimulante ou reflexivo do que certamente o diretor James Gray (Os Donos Da Noite) gostaria.

    No fim, Ad Astra é belo e frustrante. A parte técnica é absolutamente impressionante, a trilha funciona e o longa chega a ter profundidade de roteiro e personagem em sua primeira metade, mas aos poucos perde tudo isso ao tentar se tornar irritantemente contemplativo e, paradoxalmente, raso. Não me entenda mal, adoro ver filmes tentando sair do padrão hollywoodiano, mas fazer isso só por fazer não é garantia de uma obra de qualidade.