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    ALICE ATRAVÉS DO ESPELHO

    Sequência é fraca e nem mesmo corrige erros do original
    Por Daniel Reininger
    23/05/2016

    Alice No País Das Maravilhas, filme de 2010 de Tim Burton, não foi muito bem recebido pela crítica e público, especialmente por quem leu a obra de Lewis Carroll. Uma das maiores reclamações foi o visual sombrio que não combina com o colorido mundo do livro, além de personagens rasos demais. Apesar disso, a segunda parte da aventura chega aos cinemas, sem corrigir totalmente os maiores erros do primeiro e adicionando novos problemas à lista.

    Um dos novos tropeços é a falta de ritmo. A narrativa tenta ser mais ágil, fazendo uso do visual mais colorido e da chance de explorar viagens no tempo, mas não melhora muito em relação ao primeiro filme. Além da falta de fluidez, a viagem temporal, maior trunfo da obra, é mal utilizada e frustrante, afinal tudo parece ser feito em vão.

    Não se engane, a trama nada tem a ver com o livro Através do Espelho. Alice (Mia Wasikowska) acaba de voltar de sua viagem ao mar, a mesma do final do último filme. Quando seu ex-noivo, Hamish, ameaça tirar o navio de seu poder, a moça decide voltar ao País das Maravilhas.

    Lá, descobre que o chapeleiro Maluco (Johnny Depp) está prestes a morrer porque ninguém acredita que seus pais estão vivos. Sim, aparentemente é possível morrer disso nesse mundo de fantasia, embora apenas seja a desculpa mais esfarrapada possível para fazer Alice viajar no tempo.

    Com isso, a protagonista age de forma impensada e cria um novo inimigo: Tempo em pessoa (Sacha Baron Cohen). Só que ele não é um vilão de fato, ele apenas quer manter a ordem do universo e, para ser sincero, é mais fácil torcer por Tempo do que por Alice diante dos problemas que ela pretende desencadear para ajudar o amigo. Com certeza ele poderia ser salvo de outras formas que não envolvessem a obliteração de tudo que existe. Enfim.

    Talvez o diretor James Bobin (Os Muppets) tenha percebido o problema e, por isso, decidiu dar um jeito de enfiar a Rainha Vermelha (Helena Bonham Carter), vilã muito mais fácil de identificar, na trama. Só que seu envolvimento deixa tudo mais sem sentido, dificultando ainda mais para o espectador levar a história a sério.

    A narrativa funciona melhor quando as coisas ficam mais pé no chão e a trama se resume a um dia do passado de pessoas chave. E falar que qualquer adaptação de Carroll funciona somente quando tem os pés no chão é, por definição, um grave erro de conceito.

    A questão é a falta imaginação. Quando as coisas poderiam ser mais interessantes, não são, mas quando personagens tomam atitudes impensadas a fim de evoluir a trama a trancos e barrancos, a loucura é a desculpa. Além disso, os personagens continuam rasos e a família do chapeleiro ganha mais atenção do que o próprio Chapeleiro ou outros amigos de Alice. Anne Hathaway e Helena Bonham Carter até tentam salvar seus papeis, mas suas personagens não permitem fazer muito.

    No caso de Mia Wasikowska, suas melhores cenas são no mundo real, quando enfrenta homens destinados a fazer dela uma mulher bela, recatada e do lar, bem longe de capitanear seu próprio navio. Isso evidência, novamente, o maior problema da obra: as melhores cenas de Alice não poderiam ser em cenas pé no chão e muito menos fora do País das Maravilhas.

    Dito isso, o longa se destaca, ao menos visualmente, durante as cenas de viagem através do tempo, criativas e bem construídas, como se os dias fossem ilhas em um mar. Outros momentos inspirados acontecem em algumas cenas do passado e no castelo do tempo, onde os seguidores robóticos do antagonista, os segundos, se unem para se tornar robôs maiores, os minutos, até que formam a hora. É aí que visual fica mais próximo do esperado para uma adaptação de Carroll e o longa até supera o original, pelo menos nesse quesito.

    Só que Alice Através Do Espelho não faz o menor sentido, mas não de uma forma positiva, como esperamos da adaptação da obra de Carroll, afinal o roteiro é falho e o longa é cansativo e frustrante. Funciona apenas como uma aventura da Sessão da Tarde bem despreocupada, daquelas que você assiste enquanto faz outra coisa e, em alguns momentos, presta atenção quando alguma cena ou diálogo se destacam. Infelizmente, ainda não vimos o verdadeiro potencial do País das Maravilhas nos cinemas, mas não custa sonhar com essa possibilidade num possível reboot ou sequência.