ALICE NO PAÍS DAS MARAVILHAS (2010)

ALICE NO PAÍS DAS MARAVILHAS (2010)

(Alice in Wonderland)

2010 , 108 MIN.

10 anos

Gênero: Fantasia

Estréia: 23/04/2010

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Tim Burton

    Equipe técnica

    Roteiro: Linda Woolverton

    Produção: Jennifer Todd, Joe Roth, Richard D. Zanuck, Suzanne Todd

    Fotografia: Dariusz Wolski

    Trilha Sonora: Danny Elfman

    Estúdio: Roth Films, Team Todd, The Zanuck Company, Walt Disney Pictures

    Distribuidora: Disney

    Elenco

    Alan Rickman, Anne Hathaway, Barbara Windsor, Bonnie Parker, Carl Walker, Caroline Royce, Chris Grabher, Chris Grierson, Christopher Lee, Crispin Glover, Dale Mercer, David "Elsewhere" Bernal, David Lale, Eleanor Gecks, Eleanor Tomlinson, Ethan Cohn, Frances de la Tour, Frank Welker, Geraldine James, Harry Taylor, Helena Bonham Carter, Hilary Morris, Holly Hawkins, Imelda Staunton, Jacqueline Tribble, Jemma Powell, Jessica Oyelowo, Jim Carter, Joel Swetow, John Bass, John Hopkins, John Surman, Johnny Depp, Leigh Daniels, Leo Bill, Lindsay Duncan, Lucy Davenport, Mairi Ella Challen, Marton Csokas, Matt Dempsey, Matt Lucas, Mia Wasikowska, Michael Gough, Michael Sheen, Nicholas Levy, Patrick Roberts, Paul Whitehouse, Peter Mattinson, Phillip Granell, Rebecca Crookshank, Richard Alonzo, Simone Sault, Stephen Fry, Stephen Giles, Tim Pigott-Smith, Timothy Spall

  • Crítica

    07/04/2010 16h42

    Quando Tim Burton (Sweeney Todd: O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet) e a Disney anunciaram que fariam uma nova versão Alice no País das Maravilhas as expectativas foram às alturas e cada nova informação sobre a produção era tão aguardada quanto preciosa.

    Os motivos não são poucos: eu não conseguiria sugerir um nome mais adequado para a empreitada. O “estranho” modo de interpretar o mundo para uns e genial para outros, de Tim Burton, me parece ser o ideal para penetrar, traduzir e expressar a fantasia criada por Lewis Carroll, em Alice no País das Maravilhas e Através do Espelho e o que Alice Encontrou Lá.
    Após ver o filme, fica ainda mais difícil separar a visão peculiar de mundo e estética do diretor, aliada ao uso correto de toda a tecnologia disponível, do espetáculo visual. Para o espectador, Alice é uma experiência sensorial fantástica.

    Mas, que fique bem claro, este Alice no País das Maravilhas é a visão de Tim Burton, inspirada nos dois livros nos quais se baseia. Porém, não é um, nem outro. O longa conta uma terceira história. Pode parecer um pouco confuso porque o nome é o mesmo. O roteiro começa por esclarecer que Alice já não é mais aquela pequenina de sete anos e meio de idade. Aos 19 anos, Alice (Mia Wasikowska) não vê a menor graça nas obrigações e no modo como deveria se comportar no mundo aristocrático em que vive. A adolescente não entende a razão de sonhar sempre os mesmos sonhos todas as noites, desde criança.

    Tal qual no começo de tudo, o coelho leva Alice para a toca e o início do que ela acredita ser um sonho, do qual a qualquer minuto irá acordar. Porém, os personagens e as histórias de Carroll se condensam às novas amarrações do roteiro de Linda Woolverton (O Rei Leão) para dar vida a esta nova narrativa. A Rainha Vermelha (Helena Bonham Carter) continua sendo uma carta insana do baralho, impiedosa e louca por cabeças cortadas. Os soldados fiéis da Rainha Branca (Anne Hathaway) são as mesmas peças do velho jogo de xadrez. E, apesar de nunca terem se encontrado na literatura, se enfrentarão na grande tela do cinema.

    Tão importante quanto a própria protagonista é o papel do Chapeleiro Maluco (Johnny Depp). Fundamental na trama, ele é o primeiro a reconhecer que a garota de hoje é a mesma Alice de antes. Ele será seu companheiro nesta jornada e a ajudará a entender a dinâmica daquele estranho mundo e suas criaturas.

    A opção por uma narrativa fundamentada na jornada do herói me faz pensar em duas coisas: primeiro, Alice é mais velha e está em um mundo em conflito, no qual o entendimento de sua essência aventureira é determinante para a redenção; além disso, quem nunca leu nenhum dos livros vai se divertir com uma grande aventura. Tudo isso tem mais apelo junto ao grande público.

    Aí vem o segundo ponto: ao trilhar este caminho e ter êxito, o roteiro e a direção simplificaram a história e se perdeu justamente o caráter delicioso da obra de Lewis Carroll - a anarquia e o escárnio. Senti muita falta das canções e poesias. O Chapeleiro, num momento de muita seriedade e perigo iminente, recita um trecho de Jaguadarte, mas seu jogo de palavras e termos, brilhantemente escrito pelo autor, em 1871, para a segunda aventura de Alice e considerado um maiores poemas nonsense da literatura, ficam inexplicados. Os trocadilhos e piadas também ficam reduzidos para o entendimento do todo.

    A literatura e o cinema são linguagens diferentes, seus signos, códigos e percepções são outros. Os dois são complexos e podem nos levar a muitos universos. Não estou questionando isto, só para esclarecer, muito menos prefiro um ao outro. A visão de Tim Burton e seu Alice no País das Maravilhas é um desbunde. Mas não traz a mesma inquietação do original, assim como, em minha opinião, nenhuma tentativa para o cinema o fez.

    Faria muito mais sentido assumir o filme como o terceiro episódio da saga de Alice e chamá-lo de Alice in Underworld, como os próprios personagens se referem àquele lugar. A tradução para o português ficaria Alice no Mundo Subterrâneo, me parece honesta e justa.



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