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    ATÉ O FIM

    Longa se excede nas adversidades de seu personagem central
    Por Roberto Guerra
    05/03/2014

    "Um homem sozinho no mar é um homem mal acompanhado". A frase é do famoso oceanógrafo Jacques Cousteau, falecido em 1997. A citação bem que poderia abrir este filme estrelado por Robert Redford. Ele é um velejador solitário que acorda sobressaltado com um buraco no casco de sua embarcação. Não faz a menor ideia do que aconteceu, mas a situação é grave: a água invade o veleiro e, não bastasse, todo o seu equipamento de comunicação foi danificado.

    Ao subir ao convés descobre que se chocou inadvertidamente com um container desprendido de algum cargueiro. Tem início então a via-crúcis desse marinheiro para lidar com a situação. Ele está no meio do Oceano Índico, longe de tudo e todos e sem ter como pedir socorro. O realizador nos priva ao máximo de informações sobre o personagem, o que é muito interessante. Não sabemos quem ele é, como foi parar ali e não há flashbacks que vão contar sua história pregressa.

    Um preâmbulo que traz seu voz off se despedindo e pedindo desculpas a pessoas que importam em sua vida é a única porção de passado que Até o Fim nos oferece desse homem. Segue-se então as desventuras do velejador para sobreviver ao infortúnio. A água que danificou seus equipamentos de comunicação também inutilizou os motores da embarcação. Só resta a ele navegar usando as velas, mas tendo de se valer de cartas náuticas e sem poder antecipar o que lhe espera à frente.

    Ficamos sabendo neste momento um pouco mais desse homem: trata-se de um navegador inexperiente. Provavelmente um homem que foi para o mar para fugir de sua vida em terra. Sem a ajuda da tecnologia, vai consultar livros para tentar se situar. Sabe pouco e vai parar em meio e uma tempestade. A situação piora, mas seu instinto de sobrevivência o mantém lutando.

    Toda a carga de veracidade que este filme leva ao espectador começa a ser minada pela falta de sorte um tanto exagerada do personagem. Redford, é desnecessário dizer, está ótimo no papel. Ele quase não fala – até porque está sozinho e falar sozinho para explicar o que está sentindo ou pensando é coisa de novela. É seu rosto que denota as frustrações e medos pelos quais está passando. O diretor e também roteirista J.C. Chandor coloca o espectador numa condição de voyeur que acompanha a desventuras desse personagem.

    O filme, no entanto, perde sua veracidade quando exagera nas adversidades. A certa altura parece que a natureza está conspirando contra esse homem. Nada dá certo para ele. As tempestades que enfrenta fazem o veleiro – uma embarcação difícil de adernar – "capotar" várias vezes. Depois, nosso herói consegue chegar a uma rota de navios cargueiros e ninguém o vê – mesmo à noite quando usa sinalizadores, algo muito improvável.

    Mas, vá lá. Vamos assumir que estamos diante do individuo mais sem sorte da Terra. Daí chegamos ao final do filme e o diretor resolve dar uma chance ao personagem numa pegada "a esperança é a última que morre" que não convence. "Um homem sozinho no mar é um homem mal acompanhado", como disse Cousteau, mas não vamos exagerar, diretor. E se for o caso de se exceder, mantenha o leme.