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    ALMAS REENCARNADAS

    Por Livia Brasil
    18/08/2006

    O longa japonês Almas Reencarnadas é dirigido e escrito por Takashi Shimizu, o mesmo de O Grito - tanto na versão japonesa como na americana - e é o terceiro filme do chamado J-Horror Theater. O projeto é composto por seis filmes de terror japoneses, dirigidos por cineastas diferentes e produzidos por Taka Ichise. Os dois primeiros também foram lançados pela Paris Filmes, direto em DVD: Infecção, de Masayuki Ochiai e O Terror da Premonição, de Norio Tsuruta.

    É inevitável não fazer uma comparação entre o mais recente lançamento de Takashi Shimizu e o filme que o projetou internacionalmente. O Grito, este último uma produção americana repleta de grandes sustos, mas com uma história que deixa a desejar. Em contrapartida, Almas Reencarnadas abusa do enredo envolvente, mas esquece de criar momentos de espanto que agrada tanto aos fãs de terror.

    Usando uma metalinguagem bem conhecida no cinema, Almas Reencarnadas mostra a produção de um filme de terror que reconstitui o assassinato de 11 pessoas, em um hotel, por um professor universitário obcecado no estudo da reencarnação. Yuuka (nome famoso da televisão japonesa) interpreta a personagem Nagisa, uma desconhecida atriz cujo desejo é fazer parte do elenco e, assim, consolidar sua carreira. Ela é escolhida pelo próprio diretor para dar vida à pequena garota assassinada pelo pai. Nagisa começa a ter visões estranhas que aumentam intensamente quando a equipe do filme faz uma excurssão ao local, onde aconteceram as trágicas mortes.

    Paralelamente, uma outra história se cruza com o enredo principal, criando uma certa confusão no início da produção, mas que acaba se tornando necessária para explicar alguns mistérios que envolvem a trama. Apesar de não conseguir arrancar grandes sustos do público, o filme apóia-se no roteiro para criar o clima de tensão e terror, tendo, por sinal, um desfecho surpreendente.

    A trilha sonora de Almas Reencarnadas, produzida por Kenji Kawai (Ringu, versão japonesa de O Chamado), cria o clima exato para a ambientação do filme, mas sem entregar o que acontecerá nas cenas seguintes, como a fórmula americana de aumentar o áudio próximo a alguma aparição sobrenatural, obrigando você a ficar ainda mais preso na trama para, dessa forma, não perder nenhum momento importante.

    Sem grandes efeitos especiais, o longa-metragem não é nenhum exemplo de filme aterrorizante e perturbador, mas é um bom entretenimento, principalmente para quem gosta da linha de terror japonês, mantendo-se fiel a assombrações, mistérios sobrenaturais e espíritos aparecendo por todos os lados.