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    AMANTES ETERNOS

    Filme oferece um novo olhar ao gênero vampiros
    Por Daniel Reininger
    13/08/2014

    Jim Jarmusch já mexeu com as convenções dos faroestes em Dead Man e agora brinca com outra temática popular: Vampiros. Sem recorrer aos clichês básicos do gênero e com história mais contemplativa e menos sombria do que o habitual, Amantes Eternos é o conto de dois vampiros antigos chamados Adam e Eve, cujo caso de amor já dura séculos, mesmo que tenham visões opostas em relação à imortalidade.

    Ambientado nos dias atuais, o casal começa o filme em continentes diferentes. Eve (Tilda Swinton) vive em Tanger, cidade de Marrocos, onde aproveita para viver em meio a uma nova cultura enquanto divide com o amigo Christopher Marlowe, sim, o escritor do século XVI, o prazer pelo sangue, conseguido no mercado negro. Enquanto isso, Adam (Tom Hiddleston) é uma estrela do rock reclusa que vive em Detroit e passa por uma profunda crise existencial. Cansado dos humanos, os quais chama de zumbis, e exausto da própria imortalidade, ele considera o suicídio e encomenda uma bala calibre 38 feita de madeira, toque sutil para nos lembrar de que se trata de uma história de vampiros, mas cuja mitologia nunca é realmente explorada.

    Antes de Adam testar a teoria da bala de madeira no coração, Eve sente algo errado com seu amante e resolve voar até os Estados Unidos para encontrá-lo. O amor e cumplicidade do casal nunca são questionados, a trama sempre reforça a parceria dos dois e as coisas se complicam apenas quando a irmã de Eve, Ava (Mia Wasikowska), chega de surpresa. Com sua atitude irresponsável e juvenil, algo totalmente contra os modos refinados dos protagonistas, a garota os coloca em perigo e obriga uma mudança gigantesca em seus modos de vida.

    Descrito assim, a história parece animada, mas na verdade a trama caminha devagar. Jarmusch se preocupa demais com a ambientação e estilo e deixa a narrativa de lado. Muito tempo é gasto com situações aparentemente sem graça, como um passeio interminável por Detroit, repleto de conversas sem propósito e cenários bucólicos. Como consequência, o longa se arrasta em alguns momentos e as duas horas de filme começam a ser um problema, principalmente perto do final, quando o roteiro falha ao tentar criar tensão ao traçar paralelos entre a necessidade por sangue e vício em drogas.

    Esteticamente o filme é belo, com clima nostálgico e ambientes sombrios criados com maestria pela direção de arte. O glamour e o mundano são combinados com naturalidade e os cenários procuram explorar a dicotomia entre moderno e clássico. Como já esperado de Jarmusch, a trilha sonora é excelente e combina canções da libanesa Yasmine Hamdan e do holandês Josef van Wissem com músicas de própria banda do diretor.

    Swinton e Hiddleston convencem como vampiros cruéis e sofisticados, mas Adam é depressivo demais e o ator que encantou o mundo como Loki acaba apagado - isso prejudica o filme. Além disso, algumas vezes o diálogo parece presunçoso e exagera nas referências a figuras históricas encontradas pelos protagonistas ao longo da história. Assim, embora Jarmusch consiga oferecer um olhar realmente novo ao gênero, falha em criar algo interessante do começo ao fim. Mesmo assim, quem gosta das criaturas da noite não deve deixar de assistir a Amantes Eternos.