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    AMAR... NÃO TEM PREÇO

    Por Celso Sabadin
    27/06/2008

    Freqüentemente, as distribuidoras brasileiras de cinema e vídeo cometem gafes, erros e/ ou atrocidades ao criar títulos em português para os filmes internacionais. Felizmente, também existem casos inversos, nos quais boas sacadas acontecem. É o caso da produção francesa Hors de Prix, que recebeu no Brasil o inspirado título de Amar... Não Tem Preço. Claro que o nome remete à famosa propaganda do cartão de crédito e é esta justamente a intenção. O filme mostra uma profusão de cenas nas quais os cartões de crédito são mote principal e o título em português amarra tudo com rara felicidade.

    Estrelado pela pequenina (1,60m) Audrey Tautou, muito mais conhecida como a Amélie Poulain de O Fabuloso Destino de Amélie Poulain, Amar... Não Tem Preço é uma simpática comédia romântica totalmente rodada na bela e ensolarada região da Riviera Francesa, incluindo Mônaco e Nice. Ou seja, pelo menos os cartões postais estão garantidos. Mas o filme é muito mais do que simplesmente uma viagem turística pelo lugar. Com bom humor e romantismo, a trama consegue também criticar um certo tipo de "prostituição de luxo" que acontece por ali.

    Audrey - ensaiando um raro papel sensual em sua carreira - vive Iréne, uma garota oportunista e totalmente sem escrúpulos que seduz milionários sexagenários dispostos a trocar algumas noites de amor por polpudas despesas em seus cartões de crédito. Ela é uma biscate profissional, viciada em compras, que utiliza o sexo como sua arma favorita. Porém, não espere cenas picantes!

    Certa madrugada, no bar de um luxuoso hotel, ela conhece Jean (o ótimo marroquino Gad Elmaleh, uma espécie de "Ary França francês"), com quem acaba indo para a cama, acreditando que ele seja mais um milionário a ser abatido. O que Audrey não sabe, porém, é que Jean é apenas o garçom do hotel. A noite de amor traz conseqüências totalmente opostas para ambos: enquanto ela fica furiosa por ter "prestado seus serviços" para um pé-rapado, o rapaz fica perdidamente apaixonado.

    A partir daí, o roteiro cria um pequeno conto de fadas contemporâneo, emoldurado pelo luxo da costa sul da França. Uma verdadeira ode ao romantismo no qual o amor se apresenta (ainda) como fonte propulsora das atividades humanas, capaz de derrotar o consumismo e o ceticismo atuais da nossa sociedade. Ilusório demais? Talvez, mas gostoso de ser visto, já que o cinema também é a arte da ilusão.

    Ainda que Amar... Não Tem Preço seja essencialmente otimista, a direção de Pierre Salvadori não carrega os ranços moralistas que são marcas registradas das comédias românticas norte-americanas. Se no produto hollywoodiano o casal central se mantém casto até o beijo final - exigência das platéias conservadoras daquele país -, nesta produção francesa a troca de parceiros e o "rala e rola" são constantes, ainda que nunca vulgares.

    Tudo isso faz do filme um passatempo encantador, que sabe abordar temas considerados adocicados demais sem jamais subestimar o bom gosto e a inteligência da platéia. Destaque para a bela cena na qual Jean compra dez segundos do olhar de sua amada com uma moedinha e € 1.