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    AMIZADE MALDITA

    Por Daniel Reininger
    02/12/2020
    6/10

    AMIZADE MALDITA

    14
    Terror

    Amizade Maldita é aquele tipo de filme que no papel é perfeito, mas na execução deixa a desejar. Parece foto de aplicativo de delivery, aquele tipo que mostra um hamburguer lindo, que no final é uma bagunça, mas que ainda merece um joinha quando chega. 

    Pra começar, é um terror que assusta pouco, mas compensa ao gerar reflexão. Na verdade, o longa não sabe se é um terror mesmo. Por alguns momentos, ele parece que vai focar em algo para adultos, em outros, parece um suspense leve preocupado em não impactar tanto os adolescentes que assistirem à obra. Mesmo assim, com certeza vale a ida ao cinema. Caso não pra se assustar, pelo menos para vivenciar alguns momentos incômodos.

    De fato, a premissa é interessante: um amigo imaginário começa a fazer a vida de uma mãe de família um inferno, quando seu filho passa a obedecer a criatura. Existe ainda revelações e mistérios, que garantem um toque a mais de suspense muito bem-vindo. 

    O problema é que o longa não engata como horror. Quando a atmosfera de medo realmente toma conta, a trama já está no final e até gera uma vontade de ver mais daquela dinâmica, mas acaba. No fim, os sustos gratuitos se tornam mais interessantes do que os acontecimentos de boa parte da narrativa, com exceção do terço final, que discute algumas questões interessantes, como relacionamento abusivo e relação mãe e filho, que fazem o filme ganhar outra cara.

    O longa também aborda temas como a ansiedade na infância, algo vivido pelo próprio diretor. "Eu tinha medo de ficar sozinho, de ir para a escola ou de fazer qualquer coisa. Essa experiência me ajudou a trazer um pouco de mim para Amizade Maldita, com pais incapazes de saber lidar com algo assim. Quando não é algo que você consegue explicar ou ensinar, e você se sente excluído, o que você pode fazer?", afirma Christensen em entrevista. O tema é bem explorado, apesar das metáforas sobrenaturais que explicam a atitude do garoto da trama.

    Infelizmente, os protagonistas, em geral, são fracos e pouco convincentes. O pai da família é particularmente irritante, sempre duvidando da esposa, ausente ou agindo de forma bastante inapropriada, como quando tira sarro do medo de sua esposa. Sorte que ele aparece pouco na trama.

    Em termos técnicos, o longa economiza no CGI, tanto que raramente exibe seu monstro, algo bem interessante para o gênero, diga-se de passagem. Mas quando ele surge, as cenas são rápidas e borradas. Fora a cena da banheira, que é um teste para cardíacos (vocês vão ver), o vilão normalmente parece feito às pressas.

    Amizade Maldita é um terror inesperadamente reflexivo. Se torna extremamente relevante e pesado (não pelo terror sobrenatural) em seu final por questões sociais e isso pode incomodar muita gente. É uma opção curiosa de narrativa, não só pelos momentos bizarros, mas também pelas questões que discute. Com certeza, é um filme que vai ficar com você após o fim dos créditos.