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    AMOR À PRIMEIRA BRIGA

    Thomas Cailley testa o limite para falar de amor
    Por Pedro Tritto
    02/04/2015

    Ao ler o título Amor À Primeira Briga, já se imagina que o primeiro filme do diretor Thomas Cailley é mais um daqueles romances adolescentes, com enredos bem simples e cheio de clichês, que fala sobre dois adolescentes que brigam o tempo todo até descobrir que se amam de verdade.

    Nada disso. O cineasta francês até coloca alguns ingredientes de romance no longa, mas esse é muito mais do que um filme de amor, pois fala da luta de dois jovens para sobreviver no meio de uma situação de guerra. Para se ter ideia, o longa se chama originalmente Les Combattants (Os Combatentes), o que faz bastante sentido para a trama.

    E esse é o grande lance do interessante Amor à Primeira Briga, afinal, você é pego de surpresa quando vê os protagonistas Anrnaud Labrède (Kevin Azaïs) e Madeleine Beaulieu (Adele Haenel) sempre unidos e firmes aos seus objetivos de vida, dentro de um cenário onde todos limites de cada um deles são testados.

    Com alguns desdobramentos, o que se vê na relação dos dois é o balanço correto entre a intensidade de uma garota rebelde e a delicadeza de um rapaz tranquilo e boa praça. Nesse ponto, méritos para a direção de Cailley, que conduz muito bem a trama ao colocar um olhar pessoal e íntimo na hora de vasculhar melhor as intenções dos protagonistas.

    Na história, Arnaud é um jovem carpinteiro que precisa ajudar a mãe e o irmão nos negócios da família. Tranquilo e simples, o rapaz é feliz com o que tem e procura levar a vida na boa. Já Madeleine, é pouco sociável e tem atitudes grosseiras com todos a sua volta. Determinada, ela acredita que o mundo está prestes acabar e que haverá um caos social.

    Sabendo disso, ela se inscreve em um treinamento militar para testar seus limites e vencer suas resistência para estar pronta quando o pior chegar. Durante uma manhã, um grupo do exército francês chega na cidade para recrutar novos jovens. Em um dos testes, Arnaud e Madeleine acabam brigando e, a partir daí, por incrível que pareça, nasce uma amizade que pode ajudá-los a sobreviver em um campo de batalha.

    Mesmo não sendo uma comédia romântica, o filme é sutil e cuidadoso, principalmente na hora de discutir o drama das incertezas do que fazer nos próximos anos de sua vida. E a forma que acontece esse diálogo é boa, pois o público fica a vontade e pode tirar suas próprias conclusões sem qualquer tipo de pressão.

    Amor à Primeira Briga se torna interessante e agradável, pois se preocupa em abordar temas relevantes e por ser diferente na hora de mencionar o nascimento do primeiro amor e como ele pode ser uma batalha entre duas pessoas totalmente distintas. Neste caso, trata-se de uma batalha saudável onde o objetivo não é vencer e, sim, não ser vencido.