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    AMOR EM TRÂNSITO

    Longa argentino trata das idas e vindas do amor em tempos de globalização com veracidade e muito charme
    Por Roberto Guerra
    11/12/2012

    Uma viagem pode mudar os rumos amorosos de sua vida. Sei bem disso, pois vivencio uma paixão nascida do trânsito entre localidades. Este longa argentino fala justamente disso, desse sentimento capaz de passar-nos uma rasteira na próxima esquina ou pouso: o amor. Com um roteiro irrepreensível, o argentino Amor em Trânsito, dirigido por Lucas Blanco, trata de quatro personagens que se cruzam na idas e vindas do mundo globalizado. Eles são Juan, Micaela, Ariel e Mercedes.

    Amor em Trânsito começa no lugar símbolo do movimento, da mudança: um aeroporto. É lá que esses personagens se cruzam por motivos diferentes. Um deixando o país, outro chegando depois de muito tempo ausente. Alguns atrás de respostas. A Buenos Aires cosmopolita é o palco onde se cruzam essas vivências diferentes, mesmo que por breves momentos.

    Vamos descobrindo quem são aos poucos. Juan volta à Argentina atrás do grande amor. Ele partiu de Barcelona para a capital do país e não voltou. Antes de encontrá-la, cruza com a sensual e misteriosa Micaela por acaso. O contato não é bem-sucedido a principio. Aquela coisa que chamamos de destino faz com que se encontrem depois. O olhar perscrutante dela atravessa a barreira formal dele. São diferentes na essência: o envolvimento é inevitável.

    O diretor Lucas Blanco, que também é responsável pelo roteiro ao lado de Roberto Montini, dá credibilidade a esses contatos ocasionais como se de fato fossem acidentais. A verdade transborda nas situações e diálogos. A mesma situação imprevista ocorre com Ariel, que se encanta pela beleza de Mercedes na rua. A bela mulher, por um daqueles acasos capazes de mudar uma vida, pede a ele uma informação. Ela quer chegar a um posto da polícia federal para renovar seu passaporte. Partirá da Argentina em breve, mas antes seu informante ocasional vai exercer uma breve e forte influência em sua vida.

    Daí em diante acompanhamos o desenvolvimento desses relacionamentos aparentemente fugazes. Juan voltará logo para Barcelona. Mercedes deixará a Argentina em breve. A racionalidade desse quarteto leva isso em consideração. Mas quem disse que o coração é racional? Numa das mais belas e sensíveis cenas do filme, Micaela – a mais razoável personagem do longa – diz a Juan que é hora de tomar uma decisão já prevista: a separação. Ato-contínuo, fuma uma cigarro na varanda do quarto do hotel e sutilmente se vê, de seus olhos esperançosos, escorrer uma lágrima – o amor, implacavelmente, prega peças em nossa suposta racionalidade.

    Ariel, por sua vez, sabe que Mercedes o deixará em breve. Por sinal, condição imposta por ela é não falar do assunto até a partida. Tanto para ele como para ela, o acordo é jogado por terra quando a racionalidade do acordo dá lugar ao implacável ardor de uma paixão. Esses relacionamentos de ocasião se cruzam em dado momento, mas longe de qualquer obviedade.

    Este ótimo longa argentino traz, no entanto, um incômodo: a fotografia excessivamente escura e a movimentação de câmera desnecessária. Ambos em nada contribuem à narrativa e prejudicam a estética. Querendo ser diferente,o diretor Lucas Blanco brincar com luz e ângulos. Desnecessário. Seu filme já tinha méritos suficientes pelo bom roteiro, ótimos diálogos e boas atuações.

    Esses supérfluos estilísticos, no entanto, estão longe de desmerecer esse bom filme. Ele termina onde começou, no aeroporto, aquele lugar incômodo onde não se está nem lá nem aqui. É temeroso: algumas horas de voo podem mudar sua vida. Amor em Trânsito é prova disso.