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    AMOR POR ACASO

    Protagonizada por Juliana Paes e Dean Cain, comédia romântica ofende até mesmo um espectador tolerante<br />
    Por Celso Sabadin
    10/11/2010

    O ator Márcio Garcia estreia na direção de cinema com a comédia romântica Amor por Acaso, estrelada por Juliana Paes e Dean Cain. Dean quem? Dean Cain, o Clark Kent de Lois & Clark - As Novas Aventuras de Superman, seriado de TV produzido entre 1993 e 1997.

    A curiosidade fica por conta da produção, levantada com recursos brasileiros e norte-americanos, e rodada com elenco multinacional, que inclui Rodrigo Lombardi, Marcos Pasquim, Eric Roberts (o James Munroe de Os Mercenários) e John Savage (protagonista de Hair ).

    Na trama, a bela Ana (Juliana Paes) descobre que o pai lhe deixou de herança uma grande dívida e uma propriedade nos EUA. Ela não tem escapatória: precisa viajar até a Califórnia para verificar se, pelo menos, o imóvel herdado vale o suficiente para pagar a dívida. Porém, a tal propriedade é uma bela pousada que está sendo administrada por Jake (Dean Cain), que também se julga dono do imóvel. O impasse é inevitável. E o desfecho é mais do que previsível.

    Tirando a ingenuidade, a falta de criatividade e a total previsibilidade da história, o roteiro tem mais buracos que um queijo suíço. Ana fica sabendo da herança do pai quase que instantaneamente, no mesmo dia da morte dele, sem ao menos uma breve cena de velório ou enterro para atenuar a situação. E é possível acreditar numa lei pela qual basta pagar os impostos para ser considerado dono do imóvel? E uma outra lei que diz que um juiz aposentado, há anos fora do sistema judicial, pode atuar como mediador no caso e resolver a situação sem contestações ou recursos?

    Estes são apenas pecados menores, num filme onde a maioria das interpretações beira o teatrinho escolar (ok, Juliana Paes se salva), é totalmente fora do timing de comédia, as piadas não funcionam, o par central não tem química, e que comete pequenos porém insistentes erros de montagem e continuidade.

    Mas vamos ser condescendentes: Amor por Acaso traz belas paisagens da região vinícola da Califórnia, a produção não chega a ser tosca, e o filme até poderia passar como um entretenimento descompromissado para ser exibido no Telecine Pipoca num sábado à tarde. Poderia! A cena final, contudo, tira do sério até o mais Poliana dos espectadores: um descabido, constrangedor e totalmente fora de propósito merchadising de shampoo, protagonizado por ninguém menos que o diretor do filme, que surge do nada no meio da história e acaba por afundar o seu próprio trabalho.

    Depois desta, não há boa vontade que resista. Detalhe: Amor por Acaso não consegue ser criativo nem em seu título original. O site IMDB registra nada menos que nove filmes intitulados Bed & Breakfast. E uma série de TV.