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    AMORES PARISIENSES

    Por Celso Sabadin
    22/05/2009

    Excentricidades do mercado brasileiro: chega aos cinemas do Brasil, com seis anos de atraso, o grande vencedor do prêmio César 1998: Amores Parisienses. E mais: com outro título - Aquela Velha Canção -, o filme já foi até exibido na TV paga por aqui.

    Esquisitices à parte, Amores Parisienses (ou Aquela Velha Canção) é uma delícia de ser visto. Vários personagens e seus problemas cotidianos se entrelaçam pelas ruas da capital francesa. A executiva Odile (Sabine Azéma, de A Vida e Nada Mais) despede um funcionário que acabara de contratar apenas para dar uma oportunidade de emprego para o irmão de Nicolas (Jean-Pierre Bacri, de O Gosto dos Outros), seu ex-namorado. Nicolas, por sua vez, é um homem hipocondríaco que não consegue se decidir qual apartamento deve alugar em Paris, por mais que o esforçado corretor de imóveis Simon (o ótimo veterano André Dussollier, de mais de 80 filmes) lhe apresente opções. Enquanto isso, Camille (Agnès Jaoui, também de O Gosto dos Outros), irmã de Odile, descobre com tristeza que passou vários anos de sua vida pesquisando sobre um assunto que não interessa a ninguém. Ao mesmo tempo, ela se apaixona por Marc (Lambert Wilson, que estará em Matrix Reloaded), que vem a ser o patrão de Simon. Aos poucos e por acaso, os destinos destes (e de outros) personagens vão se entrelaçar numa teia de situações, algumas dramáticas, outras cômicas, outras românticas, todas bastante humanas.

    Amores Parisienses poderia ser simplesmente mais uma - boa - história de pessoas comuns que misturam suas vidas ao sabor do destino, não fosse por um importante diferencial: sem nenhum tipo de aviso, rápidos trechos de antigas canções francesas irrompem espontaneamente nas bocas dos protagonistas. São versos curtos cantados por seus intérpretes originais e dublados pelos atores que sublinham, com graça e bom humor, os sentimentos de quem os cantam, sem jamais interromper o bom ritmo da narrativa. Exatamente o contrário do que acontecia nos antigos musicais de Hollywood, onde tudo estancava para abrir espaço ao número musical.

    Dirigido por Alain Resnais (o mesmo dos clássicos O Ano Passado em Marienbad e Meu Tio da América), Amores Parisienses foi indicado para 12 prêmios César e ganhou sete. O roteiro (premiado pela European Film Awards) foi escrito a quatro mãos por Jean-Pierre Bacri e Agnes Jaoui, casados na vida real, que também atuam no filme. Quem curte o bom cinema europeu não deve perder.

    9 de janeiro de 2003
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    Celso Sabadin é jornalista e crítico de cinema da Rádio CBN. Às sextas-feiras, é colunista do Cineclick. celsosabadin@cineclick.com.br