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    AMOR?

    João Jardim embaralha fronteira do documentário e ficção para falar de violência e paixão<br />
    Por Celso Sabadin
    20/03/2011

    Depois de Jogo de Cena, de Eduardo Coutinho, e agora com Amor?, de João Jardim, fica cada vez mais irrelevante tentar discutir os supostos limites entre ficção e documentário. Eles estão rompidos e misturados. E cada vez mais os festivais terão dificuldades em dar prêmios diferentes para cada um destes gêneros, abrindo-se assim toda uma nova discussão sobre esta interdependência cinematográfica. Amor?, escrito assim mesmo, com ponto de interrogação, tem um “pé” em Jogo de Cena.

    O filme alinhava depoimentos fortes e emocionados de pessoas que, por amor (com ou sem o ponto de interrogação) acabaram vivendo histórias de extrema violência. Até aí, seria um puro documentário. Porém, para preservar a identidade e o anonimato dos depoentes, as histórias – ainda que reais – são interpretadas por atores profissionais (e põe profissionais nisso!) que as interpretam como se eles próprios as tivessem vivido, sob a forma de depoimento.

    É um grande momento do cinema brasileiro. Quando o filme foi exibido no Festival de Brasília do ano passado, o cinema totalmente lotado, com cadeiras extras espalhadas pelos corredores, assistiu a tudo em silêncio sepulcral, absorvendo cada situação, cada palavra de cada história escancarada na tela. São situações reais que superam a ficção. Histórias de pessoas que por medo, insegurança, patologia ou sabe-se lá o que, sentiam-se incapazes de colocar fim a relacionamentos extremamente doentios, pagando por isso o altíssimo preço do espancamento e da mutilação física e/ou psicológica.

    Os atores dão um show. Lilia Cabral, Eduardo Moscovis, Letícia Colin, Cláudio Jaborandy, Silvia Lourenço, Fabiula Nascimento, Mariana Lima, Ângelo Antônio e Julia Lemmertz incorporam seus personagens de uma maneira que, se alguém entrar no meio do filme, desavisado, vai achar que os depoimentos são reais.

    Utilizando a fórmula “menos é mais”, Jardim fecha a câmera sobre seus atores e extrai deles toda a emoção necessária. Como contraponto, água, muita água em imagens de mares e piscinas que banham e acalmam as tensões e a violência do tema.
    João Jardim, que já havia encantado com Janela da Alma e Pro Dia Nascer Feliz, coloca definitivamente seu nome na lista dos grandes documentaristas brasileiros. Xi, mas agora será que é documentarista mesmo?