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    ANIMAIS UNIDOS JAMAIS SERÃO VENCIDOS!

    Não espere a elaboração de Miyazaqui ou a diversão da Pixar: produção é ingênua<br />
    Por Heitor Augusto
    15/03/2011

    Não é que a Alemanha também faz longas-metragens em 3D? Animais Unidos Jamais Serão Vencidos aproveita a coqueluche do momento – a culpa da humanidade pelo aquecimento global – e narra uma história voltada para os pequeninos.

    Cinematograficamente, não dá para esperar muito desta animação. Não aguarde pela narrativa inteiramente apoiada nas imagens de Hayao Miyazaqui. Ou pelas tiradas cômicas dos filmes da Pixar, muito menos a poesia musical de Sylvain Chomet. Animais Unidos Jamais Serão Vencidos é simplesmente um passatempo, ora redundante, ora simpático. Cores bonitas ilustrando uma história escorregadia.

    Na savana, um grupo de animais, liderado pelo atrapalhado Billy, decide sair da região onde vivem, na África, já que estão ameaçados pela seca, e buscar uma nova fonte de água. Na aventura, eles descobrem que a escassez de água é culpa dos seres humanos, que construíram um hotel de luxo e represaram a água. Após realizar uma conferência com todos os animais, os bichos decidem mudar a situação.

    O uso do 3D nesta animação de Reinhard Klooss e Holger Tappe (Tô de Férias) serve mais para esconder as fragilidades do filme do que aumentar a experiência cinematográfica. A principal delas está nos saltos pouco discretos que o roteiro dá para justificar a entrada de algumas sequências. Sem saber como fazer a transição, roteiro e montagem propõem sair abruptamente de um cenário/situação “A” para entrar com tudo no cenário/situação “B”.

    Mas os personagens, que em algumas tomadas guardam semelhança berrante com Madagascar, têm carisma. O que dizer de um leão que se chama Sócrates e é vegetariano? Ou de um galo francês bélico e pronto para bradar o lema da Revolução Francesa? Ou um macaco, chamado Simão, que não têm consciência de classe alguma e trabalha para seu explorador?

    De resto, situações de enredo facilmente identificáveis pelos espectadores infantis: o pai que precisa provar ao filho que não é covarde, a despeito do que dizem os amigos da criança; a mãe pronta a se sacrificar pelos interesses da família; a união, em prol do bem comum, de inimigos eternos (como búfalos e rinocerontes); a dicotomia entre a prolixidade dos adultos e a praticidade das crianças.

    Animais Unidos Jamais Serão Vencidos é aquele tipo de filme preguiçoso que ora consegue entreter, ora entedia. E só dá para ser considerado um passatempo decente quando se vai à sessão com expectativas bem baixas.