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    ANIQUILAÇÃO

    Por Daniel Reininger
    19/03/2018

    Aniquilação, novo filme do diretor Alex Garland, é um sci-fi inteligente e estranho. Não é tão acessível e nem tão bem executado quanto Ex Machina, mas é ousado, não tem vergonha de ser esquisito e é capaz de criar muita tensão em meio a situações bizarras.

    O longa é baseado na obra de Jeff VanderMeer, que funciona como um tributo a H.P. Lovecraft, que no início no século passado criou deuses antigos alienígenas, como Cthulhu, e explorou a fragilidade dos humanos, física e psicologicamente, diante de forças do outro mundo.

    Na trama do longa, uma força brilhante esquisita se expande na costa dos EUA. Lena (Natalie Portman), uma cientista, ex-militar, viúva há um ano, acaba se tornando voluntária para entrar na área afetada e explorar o fenômeno que ameaça consumir a Terra em alguns anos, provavelmente acabando com a raça humana como conhecemos.

    Natalie Portman segura o longa praticamente sozinha e está muito bem no papel de Lena. Ela é ajudada pelo ótimo elenco que conta ainda com Tessa Thompson, Tuva Novotny, Gina Rodriguez e Jason Leigh, parceiras de Portman na exploração do bizarro evento. O problema aqui é o pouco espaço para o sempre ótimo Oscar Isaac, que quase não aparece no longa.

    A premissa é interessante; o longa gera muita tensão, mas um erro da narrativa é decidir começar pelo fim, algo desnecessário, e sempre entregar quem será a próxima vítima devido ao enquadramento, sempre isolando na tela a pessoa que vai morrer. Isso acaba um pouco com o suspense e, apesar do mistério em torno do evento e da tensão constante segurarem bem o longa, tudo ficaria melhor se não entregasse nada antes da hora.

    A história contém elementos familiares de outras obras do diretor e roteirista, como eventos apocalípticos, dilemas éticos, questões de gênero e identidade. Garland normalmente sabe o que está fazendo, mas, muitas vezes, ele se perde em ideias nesse filme, principalmente em seu clímax.

    Visualmente o longa empolga, mas poderia ser ainda mais incrível se as plantas e criaturas presentes na área afetada pelo fenômeno fossem mostradas com mais frequência. Sim, seres estranhos estão lá, mas são raros considerando a situação. Um pouco mais de cuidado nos cenários ampliaria a sensação de bizarrice necessária para o longa funcionar ainda melhor. Dito isso, novamente o final é a parte menos inspirada e, talvez, até mais esquisita do longa – com efeitos questionáveis e revelações que podem ser viagem demais para a maioria dos espectadores.

    Aliás, diante disso, fica clara a venda do filme para a Netflix. Comercialmente, o longa não teria muita chance de fazer sucesso nos cinemas, a concorrência com blockbusters fáceis de digerir é desleal. Embora seja triste ver um belo filme como esse ir direto para a Netflix, é certamente uma plataforma com mais espaço para longas como esse.

    Entretanto, o longa é capaz de discutir o que significa ser humano e faz um ótimo trabalho em questionar o lugar da humanidade na natureza e até a própria realidade. A própria aniquilação da humanidade se torna um tema a ser discutido, diante as revelações da obra. São questões inquietantes e o longa não oferece respostas fáceis, exatamente como esperamos de grandes obras de ficção científica.

    Aniquilação é uma obra impressionante e com uma temática bastante interessante, mas nem sempre é tão bem feito quanto poderia. Algumas falhas de narrativa e algumas omissões na questão de design de produção e CGI não passam despercebidos, mas o longa tem coragem de ir além do lugar comum e criar algo esquisito, porém realista. Claro que as ótimas atuações ajudam nesse quesito. Não é uma obra fácil, mas certamente é obrigatória para todos os fãs do gênero.