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    ANNABELLE

    Tentando embarcar no sucesso do original, spin-off não assusta
    Por Júlia Fernandes
    09/10/2014

    Annabelle, esperado longa derivado do bem-sucedido Invocação Do Mal sobre a origem da assustadora boneca amaldiçoada (que realmente existe), é um Spin-Off que tenta aproveitar o sucesso do original, mas faz isso sem chegar nem aos pés do primeiro. Essa triste constatação define este longa, que promete, promete, mas não cumpre.

    Invocação Do Mal rendeu mais de US$ 310 milhões aos cofres do estúdio e garantiu até continuação, que está sendo produzida. Nesse meio tempo, o diretor John R. Leonetti resolveu montar um prequel de baixo-orçamento no qual Mia e John, interpretados por Annabelle Wallis (é sério isso) e Ward Horton, são um apaixonado casal à espera do primeiro filho e cuja casa é invadida por membros da seita satânica de Charles Manson. No fim da confusão, uma mulher chamada Annabelle se mata no quarto do bebê, abraçada à nova boneca de Mia, e é aí que coisas bem estranhas começam a acontecer na casa.

    Com produção bem feita, o filme consegue passar claramente o clima dos anos 60 nos Estados Unidos, figurino e direção de arte remetem à época e o pânico instaurado pelas monstruosidades praticadas pela seita é claro. A boneca Annabelle aparece tão assustadora como no filme anterior, obviamente bem diferente da simpática bonequinha de pano que é a original, e é interessante a mudança que ela própria sofre ao longo do filme: primeiro novinha em folha e perfeita, e, aos poucos, suja e macabra.

    Mas o esforço parece que para por aí. Sem o apelo da ótima atuação de Vera Farmiga e Patrick Wilson, o casal protagonista cumpre seu papel sem brilhar, deixando a performance marcante para a boneca estática e a adorável bebê recém-chegado na família. Os problemas do roteiro se mostram em sequências totalmente previsíveis e numa das poucas cenas realmente intensas, apesar de não trazer nada novo, ainda mostra apresenta erros continuidade grosseiros.

    Ao contrário de Chucky em Brinquedo Assassino, Annabelle não põe a mão na massa para fazer o mal, apenas se manifesta espiritualmente. Apesar de bem executadas, praticamente todas as cenas de susto apelam para os clichês mais manjados do terror: barulhos estranhos, luzes piscando, assombrações nas escadas, eletrodomésticos ligando sozinhos e crianças fazendo desenhos bizarros. O filme não consegue proporcionar história bem amarrada, com suspense crescente e sustos inesperados. No fim das contas, até o apelativo Gritos Mortais, no qual os bonecos assassinos tem vozes assustadoras e executam pessoas bem graficamente, prende mais a atenção do fã de terror exigente.

    Com a proximidade do final, já foi possível deduzir o que vai acontecer. Pior, não há mais paciência para aguentar a lerdeza do casal tentando resolver a situação. Acaba que a realização de Annabelle, que teve uma imponente divulgação fazendo a boneca até passear por algumas cidades, fica só na expectativa. É certo que há muita curiosidade acerca da boneca e o filme pode saciar isso em algumas pessoas, mas não espere nada inovador.