cineclick-logo
    botão de fechar menu do cineclick
  • FILMES
  • NOTÍCIAS
  • CRÍTICAS
  • LISTAS
  • GAMES
  • © 2010-2021 cineclick.com.br - Todos os direitos reservados

    ANNIE

    Novo filme de Will Gluck traz versão moderna do musical
    Por Pedro Tritto
    12/02/2015

    O gênero musical é um dos mais difíceis do cinema. Não apenas pela dificuldade de achar atores que sejam devidamente afinados, mas também pela complexidade de encontrar um equilíbrio entre a narrativa e as passagens com música, sem deixar que uma seja mais importante que a outra. Além disso, as canções ainda precisam ser agradáveis e contar a história de maneira coerente.

    A nova versão de Annie, do diretor Will Gluck (Amizade Colorida), tinha tudo para harmonizar todos esses pontos. Afinal, contém músicas contagiantes e uma trama leve e inocente. No entanto, o que vemos é um atropelamento de fatos e um vasto exagero nos números musicais, que interferem no ritmo da narrativa e cansam o espectador.

    A história acompanha a garotinha Annie (Quvenzhané Wallis), uma órfã que tem a esperança de encontrar seus pais biológicos um dia. Morando em um abrigo só para meninas, comandado pela senhora Hanningan (Cameron Diaz), sua vida começa a mudar quando é salva de um atropelamento por Benjamin Staxx (Jamie Foxx), um milionário que tem uma espécie de TOC (Transtorno Obsessivo-Compulsivo), e deseja ser o prefeito de Nova York.

    Vendo a popularidade que a menina ganha após o acontecimento, Staxx percebe uma boa oportunidade para crescer em sua campanha política e a convida para viver com ele. A partir daí, Annie vira a maior evidência da cidade, passa a surgir em todos os canais de televisão e nas principais redes sociais. Nesse novo contexto, a garotinha e o político passam a entender o mundo de uma maneira que pode mudar as suas vidas.

    Baseado no musical de 1982 da Broadway, essa nova versão teve a preocupação de modernizar a história original, que foi criada em tiras de jornal, em 1924, por Thomas Meehan. Por um lado essa modernização é boa, pois Gluck não se prende aos arranjos musicais clássicos, com uma orquestra tradicional. Ele insere um estilo mais urbano e atual, com guitarras distorcidas e uma percussão bem conduzida, que dão força às canções.

    Por outro lado, o tiro pode ter saído pela culatra, já que o longa não traz as questões políticas e econômicas da obra original, que discutia a divergência acirrada que existia entre os republicanos e democratas durante a queda da bolsa, em 1929. Ao invés disso, Gluck prefere discutir o consumismo e a manipulação da mídia. Claro que esses são dois temas importantes, mas não são a melhor opção para o contexto da trama, que originalmente se propõe a questionar até onde vai o limite do poder.

    Com isso, o filme cai na mesmice e dá a impressão que um vasto material foi mal aproveitado. É verdade que Annie tem todos os elementos para ser um bom musical, mas sua nova versão cinematográfica não vai deixar saudade. O longa frustra por trazer pouco da essência da história original e, principalmente, por abordar questões batidas e repetitivas, que já estamos cansados de ver no cinema e até no dia a dia.