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    ANOS INCRÍVEIS

    Filme faz sátira e homenagem ao engajamento inocente
    Por Roberto Guerra
    16/09/2013

    Este longa francês nada tem a ver com série de TV americana exibida por aqui na década de 90. O título em português é um daqueles desacertos habituais de distribuidores brasileiros com nomenclatura: não tem relação com a designação original (Télé Gaucho) tampouco com a essência do filme.

    A produção, dirigida e roteirizada por Michel Leclerc (do ótimo Os Nomes do Amor), fala de uma trupe divertida e idealista por trás da TV pirata Télé Gaucho. Rebeldes esquerdistas que, munidos de microfones e câmeras, se põem ao lado de toda e qualquer minoria reprimida em toda e qualquer manifestação.

    Sátira e ao mesmo tempo elogio ao engajamento inocente, Anos Incríveis tem como protagonista o jovem Victor (Félix Moati). Inteligente e sonhador, ele quer se tornar um cineasta do calibre de Pasolini - que seus pais acham ser uma marca de macarrão. Atrás de uma câmera para dar asas a seus objetivos, vai dar na bagunçada sede da Télé Gaucho, da qual passa a fazer parte.

    O conflito se dá porque, paralelamente, o jovem assina contrato de estágio no programa de Patrícia Gabriel (Emanuelle Béart), espécie de Sônia Abrão a serviço de uma todo-poderosa emissora francesa. Victor vai levando a vida dupla até que seus radicais amigos descobrem o que consideram ser uma traição atroz aos princípios socialistas da TV comunitária.

    De possível vendido ao capitalismo, Victor torna-se uma espécie de espião infiltrado nas trincheiras inimigas. Seus companheiros de militância têm então a ideia de usar sua posição privilegiada para aplicar uma pegadinha na emissora comercial em rede nacional e ao vivo.

    Irônico sem ser ácido e carregado de leveza e bom humor em sua condução, Anos Incríveis faz uma reflexão divertida sobre idealismo, engajamento, o velho sonho de mudar o mundo e o inevitável choque de realidade imposto pela vida. O roteiro de Leclerc é inteligente, recheado de diálogos espirituosos e, mesmo flertando com o exagero para alcançar o humor, leva às telas personagens multifacetados e não apenas estereótipos.