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    ANTES DE DORMIR

    Nicole Kidman é destaque desse fraco suspense
    Por Pedro Tritto
    20/01/2015

    Quem sou eu? Já vimos essa questão surgir em comédias (Como Se Fosse A Primeira Vez), filmes de ação (A Identidade Bourne, Desconhecido), suspenses (Amnésia) e em tantos outros gêneros, afinal é um assunto intrigante para o cinema. O fato de um personagem não ter uma identidade definida instiga o público, gera curiosidade e leva o espectador a se aproximar ainda mais da história, enquanto tenta adivinhar passado e futuro.

    Esta é justamente a grande atração de Antes De Dormir, novo suspense de Rowan Joffe, estrelado por Nicole Kidman e Colin Firth. Com um quebra-cabeça bem montado, o roteiro prefere apenas tatear por pistas em busca de respostas ao invés de facilitar a vida do espectador. Dessa maneira, o diretor incentiva o público a refletir sobre o grande mistério que cerca os envolvidos e a participar do processo de revelação.

    O longa, adaptação da obra homônima de S.J. Watson, acompanha Christine Lucas (Kidman), mulher de 40 anos que sofre de um tipo de amnésia responsável por apagar sua memória recente todas as noites. Seu problema é bem parecido com o de Lucy Whitmore, personagem de Drew Barrymore em Como se Fosse a Primeira Vez, a diferença é que flashbacks começam a aparecer em sua mente e levantam dúvidas sobre tudo e todos à sua volta. Quando ela começa a investir tais visões, as coisas se complicam.

    Desde a primeira cena - na qual Christine acorda sem saber onde está – já somos arremessados com tudo para o drama da personagem, desesperada com a situação. Boa atuação e direção nesse momento são cruciais, afinal essa cena é a chance de criarmos forte empatia com a protagonista desde o início.

    Nicole Kidman é convincente ao longo de toda narrativa e, com toda a sua experiência, domina os principais elementos da personagem e transmite as inseguranças de uma pessoa levada á beira da loucura por uma situação extrema. Já Colin Firth não acompanha o ritmo no papel de Ben, marido de Christine. Com interpretação sem sal, ele não é capaz de reforçar o sofrimento pelos problemas enfrentados pelo casal. Ter que repetir as mesmas tarefas todos os dias para o bem estar da esposa é simplesmente algo corriqueiro na trama, sem o peso necessário.

    Embora a história seja marcada por um intrigante jogo de gato e rato entre a protagonista e seu passado, isso não é suficiente para esconder diversas falhas, especialmente de roteiro. Não que o texto tenha furos gigantescos, mas certos momentos que envolvem a lógica da história demonstra a fragilidade de Joffe como roteitrista, pois questões importantes da trama não tem uma solução de fato e isso pode confundir o espectador mais desatento.

    Apesar dos problemas, Antes de Dormir é interessante o suficiente para justificar o preço do ingresso, afinal oferece um mistério envolvente e boa dose de tensão. Não espere, porém, algo fora da caixa, afinal o filme é apenas bom entretenimento e se perde em elementos bobos do enredo que diminuem a seriedade e qualidade da obra.