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    APENAS UMA NOITE

    De bela fotografia, filme tem ritmo lento que permite ao espectador absorver cada momento da ação
    Por Roberto Guerra
    13/06/2012

    Até que a morte os separe é fácil, difícil é resistir às tentações. E elas estão sempre à espreita, seja para eles ou para elas. A diferença talvez esteja em como cada gênero se comporta diante do iminente pecado da infidelidade. Este o mote de Apenas uma Noite, longa de estreia da iraniana Massy Tadjedin estrelado por Keira Knightley (Um Método Perigoso) e Sam Worthington (Fúria de Titãs 2).

    Logo nos primeiros minutos de filme somos apresentados aos protagonistas Michael e Joanna Reed. O jovem e bonito casal nova-iorquino (de uma Nova York belamente fotografada por Peter Deming, de Cidade dos Sonhos) está a caminho de uma festa onde Joanna é apresentada à nova funcionária da empresa do marido, Laura (Eva Mendes, de Hitch – Conselheiro Amoroso). A tentação se apresenta, pelo menos aos olhos de Joanna, que ensaia uma cena de ciúme discreto ao final do evento.

    Toda a sequência da festa é sutilmente dirigida por Massy, também autora do roteiro, e a desconfiança nasce em Joanna de forma discreta, sem arroubos. Parcimônia bem-vinda em tempos de cinema “mastigado” para o espectador. Michael nada percebe, a não ser no fim da noite, quando voltam de táxi para casa. As palavras não são necessárias para transmitir a tensão vivida pelo casal. Basta a imagem dos dois, homem e mulher sentados em lados opostos do banco de trás olhando distraidamente a cidade pela janela.

    A discussão acontece quando o casal chega em casa e a irritação de Joanna, embalada por doses de vinho a mais, parece exagerada. A tensão abranda e tudo provavelmente voltaria ao normal se não fosse pelo fato de Michael viajar a trabalho no dia seguinte, acompanhado do pivô da discussão, a sedutora Laura.

    Convenientemente, após a viagem do marido, Joanna vai tomar café da manhã e encontra o charmoso Alex (Guillaume Canet), um caso passageiro do passado em passagem pela cidade. Daí em diante, pela uma noite que dá nome ao filme, Michael e Joanna vão se confrontar com tentações e sentimentos de culpa.

    O enredo de Apenas uma Noite é conveniente demais, mas pode-se perdoar parcialmente este deslize pelo fato do longa fazer um interessante exercício de análise de duas pessoas tendo de preservar a fidelidade diante de alternativas atraentes à disposição. O espectador fica preso à trama e tem algumas surpresas ao longo do percurso, o que é mais do que pode ser dito sobre a maioria dos filmes do gênero. O ritmo lento da produção dá tempo para absorver cada ação, e alguns momentos sutis e pontuais carregam o longa de significados subjacentes, como quando Joanna escolhe roupas íntimas para tomar um drink com Alex, ou quando Michael cruza, desconcertado, o olhar de Laura no trem para Filadélfia.

    Apenas uma Noite
    não tem trama sofisticada e, no fim das contas, o que prende a audiência é saber se um dos dois vai sucumbir à tentação. Ainda assim trata-se de um filme agradável de se ver pela forma como a trama é conduzida, fugindo de alguns lugares-comuns e apostando na discrição narrativa.