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    APÓS A RECONCILIAÇÃO

    Por Celso Sabadin
    22/05/2009

    Os fãs de Godard não têm do que reclamar: sua esposa, Anne-Marie Miéville, está com filme novo estreando nos cinemas brasileiros: Após a Reconciliação. Vale lembrar que Anne-Marie também é roteirista de vários trabalhos de seu marido e ambos têm o mesmo estilo de fazer cinema: hermético, quase incompreensível, festejado pelos fãs e odiado pelos desafetos.

    Após a Reconciliação é definido como um devaneio teatral de quatro personagens. Um tratado de filosofia que aborda temas como solidão, amor, desavença e reconciliação. Muita filosofia, muito texto e pouco cinema.

    Analisar Godard (e, no caso, Anne-Marie) é uma tarefa ingrata e traz poucos resultados. Os seguidores de sua obra, que geralmente o consideram um gênio, fecham questão quanto à sua inventividade e à sua contribuição decisiva para a história do cinema. Já seus desafetos na maioria das vezes consideram-no como um enganador presunçoso e intolerável. É quase como discutir religião: inócuo.

    Particularmente, este estilo de cinema não me agrada. Sempre fico com a sensação de que deveria ter comprado o livro com o texto do filme e não ter entrado na sala escura do cinema, onde a linguagem visual deve prevalecer. De qualquer maneira, fica o registro: Após a Reconciliação, apenas para fãs iniciados.

    6 de março de 2002
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    Celso Sabadin é jornalista e crítico de cinema da Rádio CBN. Às sextas-feiras, é colunista do Cineclick. celsosabadin@cineclick.com.br