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    AQUARIUS

    Longa pernambucano é uma forte aposta ao Oscar
    Por Iara Vasconcelos
    31/08/2016

    O cinema pernambucano vem surpreendendo nas últimas décadas ao se tornar referência de vanguarda com produções como Febre Do Rato, Baixio Das Bestas, Cinema, Aspirinas E Urubus e O Som Ao Redor o bem-sucedido suspense de Kléber Mendonça Filho. Agora, Mendonça retorna às telonas com Aquarius, elogiado no Festival de Cannes – e que também causou polêmica depois do elenco protestar contra o presidente interino Michel Temer.

    Mesmo com todo o burburinho político que o cerca, o tema não é foco de Aquarius. Entretanto, a crítica social ainda está lá. Sonia Braga faz uma interpretação muito segura e sensível da jornalista e crítica musical Clara (Sonia Braga), viúva que vive sozinha num apartamento à beira-mar do prédio Aquarius. Foi naquela casa que teve as melhores lembranças de sua vida, onde criou seus três filhos, hoje já adultos, e superou um câncer de mama.

    Entretanto, o prédio é cobiçado por uma empreiteira, que quer modernizá-lo, mas clara se nega a vender o apartamento, se tornando a única moradora do condomínio e travando uma batalha contra a empresa.

    Clara é uma mulher à frente de seu tempo em todos os sentidos. Ela se recusa a abaixar a cabeça para a vida. Seja quando se nega a vender sua casa, seja quando enfrenta o discurso conservador dos filhos. É a personificação da resistência. Na juventude, ela deixou os filhos com o pai para focar em sua carreira, tabu até para os dias de hoje. Já viúva, ela faz questão de ter uma vida social e sexual ativa e até quebra o tabu de "usar" os serviços de um garoto de programa.

    O filme acabou recebendo classificação etária de 18 anos, entretanto as escassas cenas de sexo e a ausência de palavrões fazem com que essa decisão pareça descabida, como de fato está sendo apontada por muita gente do meio cinematográfico.

    Kléber opta por uma narrativa linear e bastante clara. O longa é dividido em três partes e usa e abusa do recurso do flashback em sua composição. A marcação temporal se dá nas roupas, no visual e no tom da fotografia, com exceção da vitrola, que se mantém presente, mesmo dividindo espaço com o MP3 e o streaming, provando que a moderno e o antigo podem sim coexistir no mesmo espaço. Aliás, esse é ponto de crítico de Aquarius.

    Em uma das cenas, após sua filha se referir ao prédio como velho, Clara questiona "quando você gosta é vintage, mas quando não gosta é velho? ". Aquarius não se trata apenas de uma dicotomia entre mais forte e mais fraco, sistema e oprimido, também é um questionamento sobre modernização ser sinônimo de apagamento do passado.