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    ARGO

    Affleck amadureceu de uma maneira poucas vezes vista em Hollywood e assina um ótimo drama. <br />
    Por Paulo Cintra
    07/11/2012

    Quem diria que o figurante de Buffy – A Caça Vampiros se tornaria um talentoso diretor, capaz de protagonizar um ótimo drama. Senhoras e senhores, este é Ben Affleck.

    Você pode, e deve, duvidar do parágrafo acima caso não tenha acompanhado seus últimos trabalhos. Mas, sem dúvidas, o cineasta que assina Argo não é o mesmo que viveu o A.J. Frost de Armageddon ou então o Matt Murdock de O Demolidor.

    Affleck amadureceu de uma maneira poucas vezes vista em Hollywood, deixando de lado uma carreira de altos e baixos, para produzir seus próprios trabalhos. Todos com grande valor autoral, caso raro para a indústria americana.

    Dono de uma história tão peculiar no cinema, ele acertou em cheio ao trazer Argo para as telonas, afinal a trama é tão irreal quanto a sua carreira. O enredo enfoca uma operação nada ortodoxa para liberar reféns no Irã em 1979.

    Após a invasão da embaixada dos Estados Unidos, seis funcionários fogem e procuram abrigo na casa do cônsul canadense. Depois de tomar ciência da situação, a CIA chama Tony Mendez (Affleck), um especialista em resgates, para desenvolver um plano de fuga.

    Sem melhores alternativas devido ao governo ditatorial que vigora no país, ele resolve criar um falso filme, uma cópia descarada de Star Wars, que se chamaria Argo. Com a desculpa de procurar locações, ele entra no Irã para ajudar os americanos.

    Apesar de ser difícil de acreditar, toda a trama é baseada em fatos reais. Aliás estamos tão acostumados a ser iludidos com essa expressão, que o diretor faz questão de mostrar fotos dos personagens e reportagens da época durante os créditos, ressaltando o trabalho de pesquisa e a fidelidade dos fatos.

    É claro que todo o patriotismo americano está presente, afinal qual outra maneira de bancar um projeto destes em Hollywood? Porém, este longa tem o diferencial de não colocar os EUA acima do bem e do mal. Existe uma introdução muito bem montada que apresenta o momento político da época e justifica o porque dos militantes muçulmanos terem tanto ódio dos ianques.

    No entanto, não espere um roteiro extremamente sério pois, apesar de ser um drama, a produção é recheada de brincadeiras com os vícios da indústria cinematográfica. Destes momentos de humor, destaque para a dupla de atores John Goodman e Alan Arkin, que interpretam colaboradores da CIA. Vale citar que o personagem de Goodman: John Chambers, realmente foi informante do governo, além de ser o vencedor do Oscar de Melhor Maquiagem em 1969, por seu trabalho em Planeta dos Macacos.

    Falando em prêmios, Argo deve figurar com mérito na lista dos indicados ao Oscar 2013. Para uma Academia que já premiou o mediano Guerra ao Terror, nada mais justo do que valorizar este filme. Afinal falar sobre patriotismo, deixando clichês e exageros de lado é um feito para poucos.