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    ARMAS EM JOGO

    Por Daniel Reininger
    06/10/2020

    Daniel Radcliffe não pode ser acusado de ter se acomodado com o sucesso de Harry Potter, ele tem feito escolhas surpreendentes de filmes e encara um papel mais insano do que o outro. Em seu novo filme, o violento Armas em Jogo, o ator famoso por viver o bruxinho se torna uma estrela de ação improvável, em uma sátira sobre videogames.

    Nesse mundo, existe um reality show online chamado Skizm, que coloca "psicopatas, malucos e criminosos" uns contra os outros em uma batalha brutal até a morte. Está longe de ser um conceito original, já que foi abordado em O Sobrevivente, Batalha Real, Gamer, Corrida Mortal, Jogos Vorazes, só para citar alguns, mas Armas em Jogo conquista pelo protagonista e pelo tom frenético, por isso se torna uma bem-vinda adição ao subgênero.

    Tudo começa quando o frustrado nerd Miles (Radcliffe) provoca as pessoas erradas no chat da live enquanto está bêbado. Riktor (Ned Dennehy), o cara que comanda o Skizm, se ofende e decide se vingar do rapaz, invadindo sua casa, o sequestrando e aparafusando armas em suas mãos. Para piorar, Miles agora faz parte do programa e para sobreviver precisa vencer Nix (Samara Weaving), a campeã invicta e assassina sádica movida a cocaína que escapou de um manicômio.

    Miles acorda e encontra as armas presas em suas mãos, ele mal tem tempo de aprender a fazer as coisas do dia a dia como ir ao banheiro, comer, usar a bombinha de asma, quando Nix aparece na sua porta e o jogo mortal começa. A partir daí, o filme se torna uma enorme perseguição sem pausas, com Miles vestido de roupão, cueca samba-canção e pantufas enquanto tenta ficar vivo. Essa dinâmica se torna um pouco exaustiva, porque o filme se resume a isso, perseguição, tiroteio, perseguição, tiroteio. O clímax é ainda mais arrastado, porque é uma cena longa similar às anteriores.

    Em alguns momentos o longa dá pausas, como quando tenta reconquistar sua ex-namorada, Nova (Natasha Liu Bordizzo) ou quando faz amizade com um sem teto sábio (Rhys Darby), mas são momentos breves de diálogos, e risadas, em meio à toda correria da trama.

    O longa compensa com visuais de tirar o fôlego com as câmeras se esquivando, virando, mergulhando em volta da ação. O cineasta Jason Lei Howden é a pessoa certa para criar imagens surpreendentes, já que trabalhou com efeitos visuais em Vingadores e na franquia Hobbit. O longa tem um ar decadente e sinistro que faz muito sentido com esse universo e combina bem com a trilha sonora frenética.

    Radcliffe convence como Miles nas primeiras cenas e é óbvia sua transformação em uma máquina de matar desajeitada nas cenas finais. É divertido também ver um herói de ação tão atrapalhado, o que faz sentido com as circunstâncias. Entretanto, o grande destaque mesmo é Samara Weaving, a atriz australiana é a encarnação do ódio e mostra isso com uma ótima atuação e segurança nas cenas de ação.

    Armas em Jogo é frenético, com uma trama que não diminui o ritmo. A influência dos videogames é clara e a sátira chega ao ponto de a narrativa apresentar o equivalente a chefões de fase. O diretor e roteirista Howden tenta ter algo relevante para falar socialmente sobre o bullying virtual, violência na TV, perigo das redes sociais e o distanciamento das pessoas por conta da tecnologia, mas o longa trata dessas questões de forma extremamente rasa e não vai além do óbvio que a própria temática já escancara. Apesar disso, funciona muito bem como filme de ação incrível, com muita correria e lutas espetaculares.