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    ARTISTA DO DESASTRE

    Por Iara Vasconcelos
    24/01/2018

    Interpretar um personagem real é um dos maiores desafios que um ator pode enfrentar, principalmente se a pessoa em questão for conhecida por sua personalidade e trejeitos peculiares.

    Nesse quesito, podemos dizer que James Franco tirou de letra o desafio de incorporar o esquisitão Tommy Wiseau. Conhecido por ter dirigido, produzido, roteirizado e atuado no filme "The Room", considerado o "Cidadão Kane dos filmes ruins". Ironicamente ou não, assim como Wiseau, Franco também assume diversas funções no filme, dirigindo, produzindo e atuando.

    Lançado em 2003, o longa acabou ganhando status de cult justamente pela sua falta de qualidade. Mesmo ficando poucos dias e cartaz, o filme ainda é exibido em sessões da meia-noite nos Estados Unidos atraindo uma legião de fãs, que muitas vezes aparecem nas sessões trajados como os personagens.

    Assim como o original, Artista do Desastre arranca muitas gargalhadas do público, a diferença é que essa nunca foi a intenção de Wiseau ao lançar a sua "obra prima". A trama mostra como o cineasta conheceu o seu fiel companheiro Greg Sestero (Dave Franco) - que mais tarde escreveu o livro homônimo no qual o filme é baseado - e todo o processo de gravação de The Room, que choca pelas atitudes megalomaníacas do diretor e os diálogos bizarros e sem propósito.

    Greg e Wiseau se conhecem durante um curso de atuação e resolvem se mudar para Los Angeles com o objetivo de perseguir o sonho do estrelato. Entretanto, as coisas não saem como esperado e eles resolvem filmar e estrelar o seu próprio drama à la Tennessee Williams.

    Por vezes, a relação entre os dois parece transcender a amizade. Os constantes ataques de ciúmes vindos da parte de Tommy, como por exemplo quando Greg consegue uma namorada, parecem indicar uma atração amorosa de sua parte.

    O filme cumpre bem o seu papel como comédia dramática. O tom naturalmente cômico da história real faz a necessidade de criar situações engraçadas quase nula. O bônus antes dos créditos finais, que coloca lado a lado as cenas do original com as do longa de Franco, são o arremate perfeito e prova da fidelidade ao material de inspiração.

    Ao receber o seu prêmio de melhor ator de comédia no Globo de Ouro, James Franco agradeceu a Dave por ser o seu próprio irmão Coen. O Artista do Desastre parece ser um ótimo começo para uma parceria desse nível.