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    AS ALEGRES COMADRES

    Por Roberto Guerra
    22/05/2009

    Adaptar Shakespeare para as telas não é tarefa fácil. A cineasta Leila Hipólito estava ciente disso quando resolveu encarar o desafio de transpor, para o Brasil do século XIX, o texto As Alegres Comadres de Windsor, única peça em prosa escrita pelo dramaturgo inglês. O filme marca a estréia da diretora num longa de ficção e chega às telas na sexta-feira 14.

    Leila, que antes havia feito o premiado curta Decisão (1997) e o documentário Antônio Dias - Um País Inventado (lançado direto em DVD), ambienta a comédia na histórica cidade de Tiradentes. Lá, um aristocrata falido e picareta, João Fausto (Guilherme Karam), planeja seduzir e aplicar um golpe em cima de duas jovens e ricas esposas, a Sra. Lima (Zezé Polessa) e a Sra. Rocha (Elisa Lucinda) - as comadres do título. A vítimas, que de ingênuas não têm nada, descobrem as intenções do trambiqueiro e decidem dar corda para ele se enforcar. O problema é que o ciumento Sr. Rocha (Ernani Morares) descobre o assédio de Fausto e, acreditando que a mulher está correspondendo de verdade, arquiteta diversos planos para flagrá-la em adultério. Paralelamente, há o amor proibido do galante Franco (Daniel Del Sarto) pela bela Ana (Talita Castro), que está prometida pelo pai, o Sr. Lima (Edwin Luisi), para o afetado fazendeiro Silva (Rafael Primo). Já a mãe quer que ela se case com o médico francês Dr. Caius (Chico Diaz).

    Apesar de escrita no século XVI, a história trata de temas universais e atuais, como amor, ciúmes, adultério, relações por interesse etc. A cineasta reforçou a contemporaneidade da obra deixando os diálogos mais coloquiais e fazendo certos anacronismos propositais no figurino e cenários. O resultado é uma comédia leve, sem maiores pretensões, mas de resultado apenas regular. Apesar de contar com atores experientes em comédias, como Guilherme Karam e Zezé Polessa, o texto e, principalmente, o timing da montagem não ajudam. É nítido uma certa irregularidade no ritmo do filme, e, em se tratando de comédia, ritmo é fundamental. Uma pena, já que bons nomes como Milton Gonçalves, Chico Diaz, Edwin Luise e Ernani Morares são desperdiçados.