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    AS AVENTURAS DE TINTIM: O SEGREDO DO LICORNE

    Animação inspirada em quadrinhos é realmente admirável do ponto de vista técnico. E só.
    Por Roberto Guerra
    19/01/2012

    As Aventuras de Tintin: O Segredo do Licorne é tecnicamente irrepreensível, um deleite para os olhos, divertido em alguns momentos, mas incapaz de insuflar na audiência o mesmo desejo por aventura que o personagem original de Hergé. O motivo: o Tintim do filme não é carismático o suficiente para ganhar o entusiasmo do espectador. Não à toa, o longa deve agradar mais os que já eram fãs do personagem do que angariar novos.

    Uma coisa não se discute: Steven Spielberg e Peter Jackson investiram todo o seu potencial técnico nesse novo filme e fizeram, de fato, um magnífico trabalho. O longa é simplesmente de um realismo e capricho artístico impressionantes. Por outro lado, o roteiro baseado nos originais O Segredo do Licorne e O Caranguejo das Pinças de Ouro privilegia a ação ininterrupta, mas constrói mal seus personagens. A exceção é o hilário Capitão Haddock (Andy Serkis), destaque do filme. Arrisco a dizer que, na ausência de Haddock - com seu problema de alcoolismo e memória seletiva - o filme tornar-se-ia até mesmo enfadonho.

    A mescla das duas história resulta na seguinte trama: Tintim adquire em uma feira livre uma réplica do galeão Licorne e, mesmo diante de ofertas tentadoras pelo artefato, não abre mão do item adquirido envolvendo-se, por isso, em uma aventura repleta de ação e mistérios. Sempre acompanhado de seu fiel companheiro, o cãozinho Milu - e contando com a “ajuda” dos atrapalhados agentes gêmeos Dupond e Dupont e do Capitão Haddock.

    A ideia era homenagear Tintim – de quem Spielberg é fã confesso -, mas no final das contas o cineasta acaba fazendo uma homenagem a si mesmo. A animação é repleta de referências aos sucessos de aventura que dirigiu, como Caçadores da Arca Perdida, Jurassic Park e Tubarão.

    Spielberg sabe dirigir cenas de ação e perseguição e usa esse know-how para as sequências movimentadas de Tintim. Para os que tiverem dificuldade de embarcar nessa montanha-russa, por não se sentirem cativados pelo personagem ou enredo, John Williams se faz presente com sua trilha sonora a pontuar com exatidão quando se deve ficar empolgado, quando se deve relaxar.

    As Aventuras de Tintim: O Segredo do Licorne é uma animação realmente admirável do ponto de vista técnico. E só.