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    AS CARTAS PSICOGRAFADAS POR CHICO XAVIER

    Documentário traz mães que usam o espiritismo para superar perda dos filhos<br />
    Por Heitor Augusto
    11/11/2010

    Quem acompanhou a cobertura do Cineclick do Festival de Paulínia neste ano já deve ter lido a crítica da versão exibida lá do longa As Cartas Psicografadas por Chico Xavier. O texto que se segue detém-se apenas à nova versão apresentada pela diretora Cristiana Grumbach, com 87 minutos, não à anterior, de 105 minutos

    Isso esclarecido, vamos ao documentário. Começa o filme e enxergamos uma tela preta. Uma voz lê um texto, que depois descobriremos ser uma carta, de alguém distante que diz palavras ternas para outrem daqui. Já está dada a mensagem: As Cartas Psicografadas por Chico Xavier é um filme sobre a ausência.

    Mesmo com o ícone da doutrina espírita no título e trazendo personagens que encontraram alívio por meio dessa religião, o documentário de Grumbach não lida com a veracidade ou o charlatanismo do espiritismo: trata-se de um ensaio sobre os recursos que pais encontram para lidar com a ausência dos filhos.

    Tanto a diretora quanto a comontadora Karen Akerman deixam claro suas opções estéticas e a rigidez escolhida para lidar com um tema essencialmente duro. O respeito pelas histórias dessas mães e pais, o debate em torno da representação cinematográfica da ausência/morte e o receio de desrespeitar a dor da perda são ideias que guiam o trabalho.

    Nessa versão menor, As Cartas Psicografadas por Chico Xavier logra o que a outra versão apresentada em Paulínia não conseguira: condensar uma ideia sobre a dor. Não apenas no sentido temporal (redução do tempo de duração), mas principalmente no que se refere ao engrossar e tornar denso o sentimento da perda.

    O documentário ainda reserva pequenos jogos de montagem internos ao filme, mas que reverberam para nós. “Dá pra você entender?”, pergunta uma entrevistada para a diretora, que discretamente rebate a pergunta para quem assiste: é possível compreender essa dor? Dá para imaginar, sentir, não.

    Tendo a adesão para se aproximar da dor por meio de um filme rigoroso na forma, As Cartas Psicografadas por Chico Xavier vai dialogar, especialmente com quem passou pela experiência da perda.