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    AS MELHORES COISAS DO MUNDO

    Um filme cheio de verdade, que dialoga com os adolescentes e com os adultos<br />
    Por Heitor Augusto
    15/04/2010

    As Melhores Coisas do Mundo tem se apresentado como um filme sobre o universo adolescente e voltado a este público. De fato, isso é verdade, mas o filme de Laís Bodanzky fala também de um milhão de outras coisas, até mesmo a quem vê a juventude com alguns anos de distância.

    As principais ações do filme se desenvolvem num colégio de classe média alta onde estudam o protagonista Hermano (Francisco Miguez), a nerd Carol (Gabriela Rocha), o popular Deco (Gabriel Illanes), a blogueira fofoqueira Dri Novais (Thaís Nader), o depressivo Pedro (Fiuk), a baterista Bruna Sapata (Marô) e outros personagens.

    Esta é a base que faz As Melhores Coisas do Mundo se sustentar além da primeira leitura. Num filme desatencioso, o colégio seria apenas uma locação, como qualquer outra, a abrigar os personagens, espaço físico sem significado. Porém, devido ao roteiro de Luiz Bolognesi (parceiro de Laís Bodanzky desde Cine Mambembe), o colégio é um corpo vivo.

    Tão vivo a ponto de sugar quem se aproxima. Seus tentáculos e celas de aula abraçam os jovens e os colocam numa linha de produção que os impele a passar a perna no próximo. Usar a tecnologia e exercitar a crueldade inerente ao humano em doses cavalares, gravar um vídeo no celular com a “fulana” transando ou montar um blog que detone o “cicrano”.

    Tanto que os espaços que Hermano – um adolescente que só quer ser feliz, entender o mundo ao seu redor e tocar guitarra – experimenta a liberdade plena é na rua, montado em sua bicicleta, pedalando pelas ruas de São Paulo. Justamente o avesso do colégio. Claro que a escola de As Melhores Coisas do Mundo também guarda coisas boas, como o professor instigante (Caio Blat) ou as verdadeiras amizades (especialmente com Carol), mas, no geral, é onde o bullyng impera.

    O filme é contado a partir dos olhos de Hermano, ou Mano, um Cara Estranho como descrevera Los Hermanos. Os pais acabam de se separar, o irmão (Fiuk) está isolado, a primeira transa ainda não rolou, o professor de violão insiste em não deixá-lo tocar guitarra. Mano é apenas um cara vivendo, mas aos poucos percebe que o mundo adulto não é tão fácil quanto o infantil.

    Seja pela direção de atores de Laís Bodanzky ou pelo trabalho de pesquisa do roteiro de Luiz Bolognesi, As Melhores Coisas do Mundo é um filme que encontra a verdade de seus personagens. Impossível não passar pela empatia (ou antipatia) com Deco fazendo jogo duplo de amizade, ou Carol equilibrando romantismo e independência, ou Pedro percebendo que não tem lugar no mundo.

    Justamente a verdade do filme vem a partir de uma narrativa divertida, cheia de gírias, ágil e com uma história fácil de acompanhar. Não é hermético, mas se sustenta facilmente a ser assistido mais de uma vez. Um filme que pode ser espremido para buscar mais coisas, sem nunca ser petulante. Num lindo scope, As Melhores Coisas do Mundo tem a verdade dos jovens e, enquanto isso, não deixa de ser cinema.

    Primo de Entre os Muros da Escola, o resultado da parceria Laís/Luiz versa sobre a tentativa de ser feliz e arriscar novos caminhos. Algo à flor da pele na adolescência, mas que conversa diretamente com qualquer adulto que ainda não tenha desistido da felicidade.