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    AS MENINAS SUPERPODEROSAS

    Por Celso Sabadin
    22/05/2009

    Abatido com tanta violência em sua cidade - Townsville -, o Professor Uronium decide criar em laboratório três garotas que lhe serviriam como filhas e lhe ajudariam a encarar a vida com mais alegria. Assim, ele junta os ingredientes necessários para a sua criação: tempero, açúcar, "tudo de bom" e um misterioso elemento "X". Da receita nascem Florzinha, Lindinha e Docinho, três meninas encantadoras, amorosas... e superpoderosas. Voadoras, com visão calorífera, superforça e todos os demais poderes que possam existir em outros super-heróis, as meninas logo destroem toda a cidade numa simples brincadeira de pega-pega, atraindo contra si mesmas a ira de toda a população. Tristes, elas tentam consertar a situação, mas acabam piorando tudo.

    Os personagens do desenho nasceram como um projeto universitário que o roteirista e diretor Craig McCraken criou no segundo ano do curso de animação no Califórnia Institute of the Arts. Ainda com o título antigo - The Whoopass Girls -, o projeto foi exibido num festival de animação em 1994 e, logo no ano seguinte, foi adquirido pelo Cartoon Newtwork. O sucesso foi tão grande que As Meninas Superpoderosas foi transformada em série a partir de 1998. Daí para o cinema foi um passo: um investimento de US$ 25 milhões bancado pela Warner e pela Cartoon Network levou Florzinha, Lindinha e Docinho para a tela grande.

    Os enormes olhos das meninas e a ação incessante da história não escondem a inspiração japonesa do desenho. Os monstros que surgirão no desenrolar da trama (basicamente macacos mutantes) também deixam claro que McCraken bebeu na fonte dos pokémons e similares para desenvolver suas garotas. A grande vantagem de As Meninas Superpoderosas é o bom humor, presente durante todo o filme. O raciocínio é rápido, as tiradas cômicas são deliciosas e os chamados "backgrounds" (cenários) são de encher os olhos. A concepção visual do desenho é das mais interessantes, de traços retos e futuristas, chegando a lembrar o estilo "Jetson" criado por Hanna & Barbera.

    As Meninas Superpoderosas começa bem, com graça, ritmo e estilo, mas cai um pouco nos momentos finais, em que o bom humor abre espaço para um desnecessário excesso de violência que torna o desenho desaconselhável para as crianças menores. É o velho e clássico defeito da maioria dos produtos cinematográficos vindos dos EUA: sempre permanece a mensagem que é no braço que tudo se resolve. Fora isso, trata-se de um filme divertido que pode ser curtido tanto pelos filhos como pelos pais.

    Acompanha o programa um curta-metragem com os personagens de outro conhecido desenho da Cartoon Network: O Laboratório de Dexter.

    8 de julho de 2002
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    Celso Sabadin é jornalista e crítico de cinema da Rádio CBN. Às sextas-feiras, é colunista do Cineclick. celsosabadin@cineclick.com.br