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    AS MULHERES DO 6° ANDAR

    Comédia é pontuada de romantismo, leve ironia social e trata do confronto de classes de forma descontraída<br />
    Por Roberto Guerra
    06/02/2012

    Todos gostamos de um prato sofisticado, daqueles que surpreendem nosso paladar com ingredientes - de tal forma combinados - que mexem com nossos sentidos e nos deixam extasiados. Por outro lado, o tradicional feijão com arroz , se preparado com capricho, nunca perde seu encanto. Assim é o longa As Mulheres do 6º Andar: trivial, básico, mas tão bem realizado que o transforma numa experiência gratificante. Um filme sem pompa e circunstância, mas que ganha ares de iguaria nas mãos de Philippe Le Guay, que dirige e divide a autoria do roteiro com Jérôme Tonnerre.

    Não são poucos os filmes com temática “burguesia versus proletariado”, principalmente no cinema francês, que costuma abordar o assunto de forma pungente. Em As Mulheres do 6º Andar, no entanto, o viés político é deixado em segundo plano. A intenção de Le Guay é brindar o público com uma comédia de costumes leve e descompromissada, no que é brilhantemente bem-sucedido.

    Mesmo com argumento previsível e resvalando em alguns clichês, o filme é construído com maestria e sensibilidade e promove equilíbrio perfeito entre momentos sérios e cômicos. Uma brincadeira divertida que enternece com uma história simples, clara, e sem complicações assessórias supérfluas.

    O longa é ambientado na Paris do início da década de 1960. Jean-Louis (Fabrice Luchini, de Potiche: Esposa Troféu) e Suzanne Joubert (Sandrine Kiberlain, de Mademoiselle Chambon) são um casal conservador que vê seu mundo sofrer uma reviravolta com a chegada da jovem empregada espanhola chamada Maria (Natalie Verbeke, de O Filho da Noiva). Ela mora no sexto andar do edifício onde vive o patrão com outras domésticas vindas da Espanha. Aqui cabe uma explicação: Na época, em Paris, nos prédios antigos havia as chamadas chambres de bonnes, os quartos das empregadas, em geral localizados no 6º andar. No início da década de 60 era grande o número de domésticas espanholas na França, mulheres fugidas da ditadura de Franco.

    Voluntariosa, Maria abre os olhos Jean-Louis para a situação das empregadas de seu prédio, que vivem em pequenos quartos sem água corrente, chuveiro e com toalete coletivo em péssimas condições. Enquanto tenta ajudar as serviçais espanholas, motivado pela simpatia por Maria, Jean-Louis começa a se aproximar dessas mulheres, que, apesar dos dissabores do cotidiano que levam, são alegres e de bem com a vida. Tocado por elas, começa a descobrir um novo universo, vivendo com emoção os prazeres mais simples, em um ambiente completamente diferente aos modos austeros em que estava acostumado.

    O filme tem elenco afiado, destacado por Fabrice Luchini, Lola Dueñas (de Volver) e Carmen Maura (Mulheres à Beira de Um Ataque de Nervos), mas o destaque vai para Natalia Verbeke. A atriz argentina está perfeita no papel, acrescentando à sua beleza, entre ingênua e sedutora, a carga dramática necessária para transformar Maria em alguém real e não um estereótipo.

    As Mulheres dos 6º Andar é uma comédia simpática, pontuada de romantismo e leve ironia social, que trata do confronto de classes de forma descontraída. Recomendo com entusiasmo esse longa francês que o fará sair da sala com o espírito enlevado, afinal, todos nós precisamos de um bem servido prato de feijão com arroz de vez em quando.