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    AS PALAVRAS (2012)

    Não há nada de particularmente especial no filme, apenas o fascínio de seu mote, elas, as palavras escritas<br />
    Por Roberto Guerra
    19/11/2012

    Não há nada de particularmente especial neste longa, a não ser o fato dele girar em torno delas, as palavras, e de quanto são capazes de influenciar a vida das pessoas. Ao menos de quem as amam, fazem delas seu meio de vida ou catarse, como os personagens principais deste filme.

    Começa com o escritor Clay Hammond (Dennis Quaid) preparando-se para uma leitura pública de seu best-seller, que dá nome ao filme. Uma plateia atenta aguarda o autor que começa a contar a história do aspirante Rory Jansen (Bradley Cooper), jovem que batalha para publicar seu primeiro romance.

    Recém-casado com Dora (Zoe Saldana), Jansen dedica sua noites a criar aquele que será seu livro de estreia. A obra, apesar de bem avaliada por agentes, não consegue nenhum editor disposto a publicá-la. Tempos depois, sua mulher o presenteia com uma velha valise comprada num antiquário e nela Jansen acha os originais de um livro, uma obra virtuosa que o deixa abalado por sua qualidade e força da verve literária de seu autor inominado.

    Quem tem o hábito de ler se identifica fácil com as reações do personagem de Bradley Cooper diante do belo texto. Há livros, poucos, capazes de nos prender e emocionar. Hammond está diante de uma dessas obras e a inveja por ser onde quer chegar como autor. A vontade de sentir aquela enxurrada de palavras surgindo de suas mãos - e algumas contingências mais - acabam por fazer o escritor assumir o texto como seu. Ato-contínuo, o livro é publicado e o sucesso de crítica e público o transformam numa estrela da pena.

    A farsa, naturalmente, cobra seu preço. Este, no entanto, não está na possível retaliação jurídica de seu verdadeiro autor, um velho homem – interpretado por Jeremy Irons - destruído por ter perdido sua grande obra, mas ainda mais arruinado por ter se desprendido do significado de sua vida por seu amor às palavras contidas ali. O calvário de Jansen, que depois emplaca outros livros de sua verdadeira autoria, está em sua consciência de autor: não ter escrito o primeiro nem nada tão brilhante.

    Todo esse drama está intrinsecamente ligado ao personagem de Clay Hammond, que abre o filme. Talvez como mero autor, talvez como personagem real dessa trama. O que é realidade e o que é ficção, não sabemos com total convicção. Assim é o mundo fascinante da literatura.

    Ratifico: não há nada de particularmente especial como obra de cinema em As Palavras. Apenas o fascínio de seu mote, elas, as palavras escritas, de onde nascem todas as tramas cinematográficas, afinal. Esplêndidas, ruins ou medianas como essa.